Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017 |

Memórias de um quadrinista! Pablo Aguiar revela os bastidores de suas histórias em quadrinhos

Autor afirma que não tem uma história preferida entre as 27 que publicou

Por Redação em 31 de Março de 2017

"Quadrinhos eram feitos na escrivaninha de sua casa" (Foto: Rene Almeida)


“Eu aprendi a ter orgulho de Alvorada”. Assim Pablo Aguiar, 27 anos, define sua experiência como quadrinista da seção “Memória em Quadrinhos”, veiculada no Jornal A Semana desde fevereiro de 2016 e que teve sua última edição publicada há duas semanas. Ao todo, foram 27 histórias de personagens anônimos do município contadas através dos desenhos de Aguiar. “Não teve uma história mais legal. O que eu mais gostei foi de conhecer a minha cidade e as pessoas que vivem nela”, ressalta.

Aguiar já cursou design e é formado em comunicação digital pela Unisinos e artes visuais pela Universidad Del Pais Vasco, na Espanha. Ele conta que desenha desde criança e aproveitou a oportunidade de trabalhar no jornal A Semana para fazer um projeto diferente. “O quadrinho é algo mais natural para mim me comunicar. Eu sabia que seria inovador”, afirma. Todos os desenhos foram feitos na escrivaninha de sua casa. Primeiro ele ouvia a gravação da entrevista, transcrevia as partes mais importantes e selecionava os fatos mais marcantes que seriam representados nos quadrinhos. Após, desenhava com lápis a história nos quadrinhos observando fotos que tirara durante a entrevista. Aí era só passar a caneta, digitalizar a folha de ofício e configurar os tons de cinza no programa de edição. Pronto! Mais uma história estava contada.

“Eu sei todas as histórias que eu ouvi de cor. Eu entrei muito nas histórias. Sempre que eu tinha um quadrinho pra fazer eu vivia aquele quadrinho. Entrava muito no meu dia a dia. Era uma dedicação integral. Eu vivia as histórias”, relembra. Aguiar explica que buscou contemplar alvoradenses de várias profissões, desde médicos e jornalistas até recicladores e moradores de rua. “As pessoas gostavam de se ver representadas nos desenhos. Eu fazia questão de entregar o jornal nas mãos delas e ver a emoção. Foi legal para as pessoas de Alvorada se sentirem valorizadas. Terem as suas historias valorizadas. Isso é legal para a autoestima”, destaca. O quadrinista diz não ter seu quadrinho preferido, mas lembra que a história de Bernadete Gonçalves sobre a casa de arquitetura singular que ela morou na Rua Noruega, publicada na edição 1436, foi a que exigiu mais pesquisa entre todas. “O desenho não tem que ilustrar o que está escrito. Ele tem que dizer algo a mais, para os dois poderem se complementar”, explica.

Hoje, Aguiar trabalha como freelancer para agências de designers. Para o projeto “Memória em Quadrinhos”, ele revela que se inspirou no quadrinista argentino Liniers. “Meu desenho é simples, tem uma coisa meio realista, tento desenhar os detalhes do lugar. O resto eu faço bem simples, pegando os traços principais dos personagens”, define. Terminado o projeto no Jornal A Semana, a ideia agora é fazer um livro com todas as histórias que foram desenhadas. “O quadrinho agrada desde crianças até idosos”, finaliza o quadrinista.

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