Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Por falta de reformas, casarão dos Malta está desmoronando

Última restauração ocorreu em 1984 numa das mais antigas construções do município

Por Redação em 24 de Março de 2017

"Casarão tem mais de 100 anos e fica no bairro Formosa" (Foto: Matheus Pfluck)


Mesmo tendo 51 anos de emancipação e muita riqueza histórica, até o momento Alvorada não possui algum museu que garanta a preservação de sua história num local adequado. Tão pouco, antigas casas construídas há muitos anos, pertencentes há famílias pioneiras na construção do município em alguma época, foram reformadas e preservadas como deveriam.

E assim acontece com o chamado “Casarão dos Malta”, construído há mais de 100 anos na Rua Felipe Camarão, no bairro Formosa. Lá, com o passar dos tempos, o lugar de estilo português vai se degradando, pois somente uma reforma foi realizada no ano de 1984 pela antiga proprietária, Áurea Célia Malta, uma das primeiras professoras do município e que faleceu em 30 de setembro de 2008.

Conforme Tânia Pires Alvarenga, sobrinha de Áurea, antes de morrer a antiga proprietária fez a doação do terreno e da casa passando tudo para seu nome. Da época, o que ainda permanece é uma figueira que acolhe os moradores com sua sombra durante os dias quentes do verão. A casa que originalmente foi feita com madeiras do mato, em 1984 quando da restauração, por conta dos cupins, foi erguida novamente, com estrutura de alvenaria e desde então vem apresentando rachaduras e problemas.

De acordo com Tânia, conforme o tempo passa a casa está desabando e ela não tem recursos para reformá-la, mas disse que pretende dar continuidade ao trabalho que sua tia realizava. “Eu quero fazer uma fundação para os doentes que juntas nós cuidávamos. Tenho 17 tutelados pelo Ministério Público e a casa foi interditada duas vezes, a primeira eu não estava porque estava fora e a segunda quando voltei foi interditada, foi condenada porque estava rachada”, explica.

Perguntada se gostaria de que a casa fosse tombada como patrimônio histórico de Alvorada, ela disse que não era a favor. “Tombamento minha tia pediu que não fizesse, pois quando tombam, a gente nunca é dono de nada. A Prefeitura se apropria e nunca mais temos nada”, reclama.

Livro

No ano 2000, Áurea Célia Malta escreveu o livro intitulado “Raízes da nossa terra” em que apresenta, dentre outros assuntos, a casa que residia junto de seus pais nos anos 1980. Em uma das referencias à casa, ela conta como era o local na época: “Nosso casarão conta com mais de 100 anos, fica localizado no Passo da Figueira, bairro São Francisco, 131. Pertenceu às famílias Oliveira e Silva.

Em 1984 quando foi restaurado, por estar em grande perigo. Sofreu algumas modificações: a casa que era de madeira, mas todas destruídas pelos cupins. O forro e assoalho com o mesmo problema.

Na frente haviam cinco janelas, mas atualmente há somente quatro. As portas não foram mudadas de local, o telhado não foi possível continuar o mesmo devido a muitas telhas tere sido quebradas pelo vento. A casa conta com três quartos, uma sala, varanda, cozinha e um banheiro. Meus pais e meus irmãos plantavam, criavam, tinham tambo de leite, tratavam cavalos de corrida. Minha mãe gostava de criação, hortas e jardim”, finaliza Áurea.

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