Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017 |

Alimentos da horta da Escola Vale Verde são servidos na primeira merenda do ano

Moranga, mandioca e melancia são alguns dos alimentos na plantação do colégio

Por Redação em 10 de Março de 2017

"Moranga foi o primeiro alimento à ser colhido e posteriomente servido aos estudantes" (Foto: Matheus Pfluck)


A última segunda-feira, 06/03, marcou o início do ano letivo para os mais de 18 mil alunos das 43 escolas públicas do município. Na Escola Estadual Vale Verde, no bairro Piratini, a principal novidade foi servida na merenda: foi a primeira refeição com alimentos cultivados na horta do colégio. Além da moranga servida no almoço de terça-feira, a horta também possui mandioca, melão, melancia, pera, laranja e tomate.

A iniciativa, que começou no ano passado, foi da direção da escola e do presidente da Comissão de Pais e Mestres/COM, Carlos Ancinello Larroque. Devido à verba de apenas R$0,30 por aluno repassada pelo governo estadual, a ideia surgiu como alternativa de economia na merenda dos estudantes. “Nós temos, por lei, que adquirir uma parte dos alimentos da agricultura familiar, e é muito caro. Então ‘por que não fazer uma horta na escola’, pensamos”, conta a diretora da escola, Lisiane Schneider. A primeira colheita resultou em 70kg de moranga. Para abril, serão colhidos mais 70kg de mandioca. Todos os produtos não possuem agrotóxicos. “Os pais mesmos que foram lá plantar. Nós queremos que os alunos comecem a ver os frutos e comecem a cuidar da horta”, destaca a diretora, que ainda diz não ter a estimativa da economia que a horta trará para a escola, por ser ainda a primeira colheita.

Escola de exceção

Além da horta, a direção promoveu um “aproveitamento melhor do espaço”, como define Schneider. Foram feitas uma nova sala dos professores, uma sala de reuniões, reformas nos banheiros e pintura dos quadros e corredores. Há pelo menos seis anos, a escola conta com ar condicionado e lousas digitais nas salas de aula, algo excepcional nas escolas públicas do município. “A gente nota a diferença na disposição dos alunos. Se fosse num outro ambiente, num dia quente, mesmo sendo início do ano os alunos já estariam cansados e não responderiam da mesma maneira. É muito importante o conforto térmico para que eles consigam construir algum conhecimento, tanto no verão como no inverno”, afirma o professor de Geografia e História, Maurício Machado, que comemora o fato dos alunos saírem menos da sala para tomar água, por exemplo. Sobre a lousa digital, apesar do acesso à internet ser lento, Machado acredita que facilita muito o trabalho do professor. “É um instrumento muito importante, principalmente nessa fase do aprendizado que eles precisam ter um contato mais material para poder construir o seu conhecimento. Imagina que sem a lousa tu tem que desenhar, e tu não sabe desenhar. Então o aluno tem que imaginar, e se torna muito mais difícil de assimilar o conteúdo”, explica.

O aluno do 6º ano, Josué Benhur Guelso, 10 anos, também aprova a sala de aula climatizada e afirma se sentir muito bem nela. “Os ventiladores não saciavam todo o nosso calor”, conta. Já a experiência de aprender com a lousa digital, ele define como “muito show”, diz que consegue aprender mais com o instrumento e se sente até mais motivado para ir à aula. A mãe do garoto, Sandra Guelso, 40 anos, também se mostra satisfeita com a estrutura da escola. “Eu acho uma maravilha. Hoje é difícil ter uma escola tão bem cuidada, com comida natural, com sala climatizada nesse calor que a gente tem. É ótimo, pra mim é muito bom”, comenta. Ela conta ainda que Josué estuda na escola Vale Verde desde o primeiro ano e que estava ansioso para voltar às aulas. “Ele tava louco para vir pra escola”, completa.

Demais medidas

Para os próximos meses, está prevista a entrega da quadra poliesportiva da escola, que está sendo construída com um investimento federal. A cobertura já foi finalizada e falta apenas o piso ser entregue. No futuro, a direção também planeja a construção de um galpão com capacidade para 500 pessoas para abrigar eventos como formatura, festas da escola e oficinas diversas para os alunos. Outro projeto da direção da escola é transformar a mata ao lado do terreno em área de preservação ambiental.

Com tantos projetos, Lisiane Schneider admite que o investimento não vem apenas das verbas do governo estadual. “Nós fazemos várias ações com o objetivo de angariar fundos. Temos que ser criativos”, ressalta. Ela revela que este ano todos os professores ganharam um caderno para organizar melhor o trabalho. Além disso, juntamente com os alunos, receberam uma agenda com mensagens de motivação para o dia-a-dia. “Eu gosto de estimular os professores com lembranças. É um acolhimento, é tratar bem”, fala a diretora. A escola Vale Verde funciona nos três turnos e atende aproximadamente 1.050 alunos no ensino fundamental e médio.

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