Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 |

Alunos da Escola Castro Alves realizam manifesto em apoio aos professores

Organização aconteceu após o novo parcelamento de salário

Por Redação em 08 de Setembro de 2017

"Ação contou com a participação de alunos e professores e foi realizada em frente à instituição" (Foto: Matheus Pfluck)


Na quinta-feira, 31/08, os servidores estaduais receberam apenas R$ 350,00 de sua folha salarial. Esse foi mais um parcelamento dos salários realizado pelo governador José Ivo Sartori em sua gestão. Segundo anúncio da assessoria do Piratini, até o dia 13 de setembro toda a folha deve ser quitada pela Secretaria da Fazenda.

Entretanto, essa rotina no atraso dos salários que já causa indignação nos professores também causa comoção nos alunos. Pelo menos é isso que foi visto na manhã desta terça-feira, 05/09, em frente à Escola Estadual Castro Alves. Isso porque os estudantes do ensino médio da instituição organizaram uma manifestação em prol do salário dos professores.

Para a aluna do terceiro ano, Caroline Agliardi, que é uma das organizadoras do manifesto, essa é a primeira ação que eles fazem nesse sentido. Porém, caso essa situação e condição de trabalho não melhore provavelmente essa não será a última. Nesta terça-feira a ação aconteceu a partir das 11h40 e seguiu até o início da aula da tarde.

“A gente que sai perdendo com tudo isso, até porque temos que recuperar as aulas depois e nem sempre isso acontece. Desde o início do ano que essa situação está assim e a gente se dá bem com os nossos professores. Sem falar que isso nos prejudica muito quando pensamos em ENEM, UFRGS e formatura”, salienta Caroline.

Uma das participantes do manifesto é a aluna Shailaine Wroski, que estuda na Escola Castro Alves desde 2006 e se mostrou indignada com a atual condição de trabalho dos professores. Isso porque, segundo ela, eles vêm recebendo os salários atrasados e existem outros recursos que também não estão vindo, o que obriga os alunos a comprarem materiais fundamentais, como folhas de ofício, por exemplo.

“Nós não tínhamos nem papel higiênico na escola e a gente tinha que pagar ou trazer de casa. Eu estudo aqui já faz doze anos e é nítido que esse colégio já foi mais bem conceituado. Os professores estão batalhando, mesmo com poucos recursos, para nos preparar para o mundo. Tem gente que fala mal que os professores estão fazendo greve, mas é porque não é no bolso deles que estão mexendo”, enfatiza Shailaine.

Para o professor de geografia Cesar Silva, essa organização dos alunos mostra a conscientização dos estudantes com a situação econômica do Estado e com o sucateamento da educação pública estadual. Já o professor de matemática, Julio Cesar Meister, ressalta que esse é um processo democrático que partiu dos alunos.

“Eles viram essa necessidade de se manifestar por causa dos professores que eles têm o convívio diário. Isso faz parte da escola. A gente tem que incentivar ações democráticas porque eles fazem parte deste processo. Na realidade são eles que estão nos apoiando e não nós que estamos apoiando eles. Eles estão apoiando o direito de ter todos os períodos, um professor substituto, a aula completa. São uma série de direitos que eles não tem porque o Estado não concede a eles”, finaliza Meister.

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