Sábado, 18 de Novembro de 2017 |

Greve dos professores da Escola Salgado Filho por melhores condições de trabalho completa um mês

Paralisação das aulas acontece em diversas instituições do Estado devido ao parcelamento dos salários

Por Redação em 13 de Outubro de 2017

"Paralisação teve início no dia 31 de agosto e, atualmente, apenas três turmas estão tendo aula" (Foto: Guilherme Wunder)


Como é de conhecimento dos leitores do Jornal A Semana, os servidores públicos do Estado vêm sofrendo com o parcelamento e os atrasos de seus salários. Isso já acontece desde o início da gestão do governador José Ivo Sartori (PMDB) e prejudica professores e alunos da rede estadual de ensino como, por exemplo, da Escola Senador Salgado Filho.

Isso porque a instituição já está em greve desde o dia 31 de agosto, superando a marca de um mês paralisado. Atualmente apenas três turmas estão tendo aula e não existe previsão para o retorno dos professores às salas. Além disso, existem boatos sobre o final do ano letivo que preocupam os estudantes de toda a rede estadual, mas, principalmente, do terceiro e último ano.

Os alunos

Pelo menos foi essa preocupação vista em alunos do Salgado Filho. A estudante Larissa Pereira salientou entender o lado profissional dos professores e todas as suas lutas. Entretanto, a jovem se sente prejudicada em um momento tão importante para a sua vida, que é o último ano de ensino médio e a preparação para o ENEM e os vestibulares.

“Estávamos nos aprimorando sim, mas com isso tudo e com o Sartori não pagando os professores fica pior ainda, pois têm muitas pessoas que não tem uma internet, um computador ou até mesmo um livro para estudar em casa. Eu estou tentando puxar coisas pela internet e livros, sites de vestibulares de estudos e assim vou me virando, mas claro que não é a mesma coisa do que estar com um professor de cada área lhe auxiliando”, salienta Larissa.

A aluna Brenda dos Santos também ressaltou achar justa a greve dos professores, mas tem medo de que isso possa prejudicar o ano letivo, visto que ainda faltam conteúdos para serem passados. Esse sentimento também passa pela cabeça de Breno Borstmann, que destaca se sentir prejudicado logo no seu último ano do ensino médio.

“As escolas estaduais não tem o melhor ensino, porém, nós alunos, sempre aprendemos conteúdos e truques importantes para vestibulares. O problema é que não estamos tendo aula e estudamos em casa e isso é muito difícil. Sem falar que existem chances de nosso ano letivo ser encerrado. Isso nos deixa preocupado porque muitos de nós temos cursos técnicos e sem o certificado de conclusão do ensino médio não podemos começar a trabalhar”, conta Borstmann.

Os professores

A reportagem do Jornal A Semana entrou em contato com a diretora da Escola Senador Salgado Filho, Dagmar Rossi, que preferiu não se pronunciar sobre a greve. Posteriormente, foi contatado o professor de biologia da instituição, Luís Roberto, que faz parte do Sindicato dos Professores e Funcionários da escola do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS).

O professor ressaltou que, antes de qualquer coisa, o problema não é a Escola Senador Salgado Filho e sim o governador José Ivo Sartori. Segundo ele, os professores e funcionários também estão sendo prejudicados pelo Estado. E isso não é só questão do salário, mas também pela falta de investimento na infraestrutura e por melhores condições de trabalho.

“Eu sei que essa preocupação veio dos alunos do Salgado Filho, mas ela é geral. Todas as escolas estão em greve e essa preocupação existe em todas elas. Nós não estamos preocupados só com o nosso salário, mas também com os nossos alunos. O problema é que não temos mais condições psicológicas de entrar nas salas de aula. Nós estamos sendo humilhados. Quem está atrapalhando o ano letivo não é a nossa greve e sim o governador José Ivo Sartori”, desabafa Luís Roberto.

Ainda conforme o servidor, o Governo do Estado está fazendo terrorismo com os funcionários para renegociar as dívidas e privatizar ou extinguir fundações e serviços. Segundo ele, existem recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) e também outras maneiras para que se encerre a greve e as aulas sejam retomadas.

“A nossa greve não é de birra, mas sim de desespero. Nós estamos desesperados. A gente quer que a sociedade entenda estamos brigando por nossos direitos. Nós não recebemos 13º. Nós temos de pedir empréstimo no Banrisul e pagar juros para poder pagar nossas contas e pagar a passagem para ir trabalhar. Nós não estamos sendo tratados com dignidade” finaliza o professor.

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