Segunda-Feira, 10 de Agosto de 2020 |

O impacto financeiro da pandemia do coronavírus nas quadras poliesportivas do município

Empresários estão há mais de cem dias sem poder abrir legalmente e perspectivas não são positivas

Por Redação em 03 de Julho de 2020

"Enquanto os decretos estão em vigor, retratos como esse (quadra vazia) se torna mais comum" (Foto: Divulgação)


Um dos setores mais afetados pela pandemia do coronavírus é o setor esportivo. Um claro exemplo disso é a dupla Gre-Nal, que segue sem poder treinar em Porto Alegre devido aos regramentos do distanciamento controlado. Se isso acontece nos grandes clubes esportivos, como será que está sendo nas quadras poliesportivas e no esporte amador de Alvorada?

Segundo os entrevistados desta semana, o impacto nas finanças está sendo pesado. Cabe ressaltar que o esporte foi um dos primeiros setores paralisados, no início da pandemia, e teve um período de pouco mais de 15 dias desde então que pode ser aberto. São cerca de 100 dias fechado e sem poder realizar partidas de forma legal – houve registro de jogos clandestinos nesse período.

Para Rodrigo Ilha, proprietário da Arena 57, o fechamento não atrapalha só a quadra, mas a vida de famílias. “Dependemos exclusivamente só dela. Duas famílias sem renda nenhuma e sem saber o que vai acontecer daqui para frente. Não temos perspectivas de melhora e nem de poder abrir nem que seja somente para jogos. Falo por todos isso. Temos 30 quadras no município sem poder trabalhar”, salienta o alvoradense.

Ele explica que houve reuniões entre empresários do setor para que fosse apresentado um ofício que liberasse os trabalhos, mas o projeto foi paralisado com a entrada do município para a bandeira vermelha. Entre as alternativas apresentadas estavam a distribuição de kits de higiene, a diminuição dos horários de funcionamento, a proibição de churrasqueiras e torcidas e o uso de máscaras; entre outros.

Já Celmir Martello, que é proprietário da Martello Sports, explica que isso mexe como na economia. “Existem mais de três mil pessoas envolvidas com o futebol amador. O retorno dele, pelo que eu tenho acompanhado, não é a prioridade para ele. Só que isso também gera receita e recursos para sustentar famílias. O esporte também deveria ser considerado prioridade”, justifica o empresário.

Contudo, ele acredita que o esporte amador deve demorar ainda para poder ser realizado. “É muito difícil retornarmos antes do futebol profissional, mesmo seguindo os protocolos. Contudo, isso será inviável para muitos nós. Os custos são grandes e, oficialmente, acredito que só seja liberada a nossa atividade depois do retorno do futebol profissional”, conclui Martello.

Gilnei Azzolini é proprietário da quadra do Batatinha, e analisa o impacto da pandemia. “As contas continuam e a gente não tem ganhos suficientes para paga-las. A gente tinha reservas e tivemos que mexer para manter tudo em dia, mas ninguém esperava que fosse ser por tanto tempo assim. Isso sem falar do impacto social de todos que vinham aqui. O futebol é o lazer e a válvula de escape para muitos”, analisa o alvoradense.

Segundo ele, esse problema afeta os donos das quadras, os que sublocam e os que locam. “Esse último é o que mais saiu prejudicado em meio a pandemia. Só a renegociação não basta. Acho que poderia ser intercalado os jogos para não gerar aglomerações dentro da quadra e sem torcida, acompanhantes e churrasqueiras. Essa pode ser uma alternativa, mas todo o cuidado precisa ser tomado”, finaliza Azzolini.

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