Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2017 |

A importância de um sorriso para as crianças do Hospital de Alvorada

Projeto Palavra Encantada realiza ações sociais em ONGs e instituições

Por Redação em 01 de Setembro de 2017

"Uma vez por mês, os adolescentes do Palavra Encantada, encenam e contam histórias para crianças e mães que estão no Hospital de Alvorada" (Foto: Matheus Pfluck)


Receio, timidez e medo são apenas alguns dos sentimentos ou preocupações que surgem na cabeça de um grupo de estudantes da Escola Salvador Jesus Cristo quando eles “sobem ao palco”. Porém, a esperança de colocar o sorriso no rosto de uma criança e a expectativa de transformar os jovens em pessoas mais sensíveis são motivações que superam os aspectos que os preocupam. Esse é o grupo Palavra Encantada.

O projeto, iniciado em 2013 e hoje coordenado pela professora Sabrina Reis, realiza uma espécie de hora do conto na ala pediátrica do Hospital de Alvorada – pelo menos uma vez ao mês. Nesta ação, além de apresentar histórias lúdicas dos contos de fadas, os alunos do ensino médio da Instituição também distribuem livros para os pequenos internados, como uma espécie de incentivo à leitura.

Segundo a professora Sabrina, a ideia inicial do projeto Palavra Encantada era visitar as crianças em situação de vulnerabilidade social, realizando ações e intervenções em paróquias e pastorais. Somente no ano passado que essa parceria com o Hospital de Alvorada foi firmada, aonde eles vão uma vez ao mês. Porém, esporadicamente, eles também visitam outras instituições, em datas especiais, como no dia dos avós e das crianças.

“[O grupo Palavra Encantada] surgiu da ideia de criar um projeto que fizesse uma ação voluntária e, ao mesmo tempo, incentivasse a leitura. Então o grupo Palavra Encantada aparece para incentivar os alunos a fazerem projetos sociais, pois acreditamos na formação integral do aluno”, enfatiza a professora Sabrina, quando questionada sobre a importância desta ação.

Formação integral

Para os alunos também fica, além do bem que está sendo feito, o aprendizado sobre a importância destas ações sociais. Isso tanto na proximidade com as pessoas, como em conhecer diferentes realidades e perspectivas de vida e, consequentemente, refletir sobre a relevância dada para questões banais do dia a dia.

“Tu vai ver pessoas em condições diferentes, algo que não é comum para a gente. E isso ajuda na nossa formação como ser humano em auxiliar as pessoas. Isso mostra que podemos ajudar tanto dentro quanto fora da escola”, relata o aluno do terceiro ano da escola, Gustavo da Silva Inácio.

Conforme a aluna Amanda Nicole Gomes, estudante do primeiro ano, o que a motivou a participar do projeto foi a vontade de ajudar as pessoas. Além disso, a alvoradense fala que um dos aspectos que mais motivam a jovem nas apresentações é a troca de sentimentos e de energia que existe entre os alunos e as crianças que assistem a hora do conto.

“A gente leva alegria para eles e eles também nos dão isso, mesmo estando em um lugar tão triste para eles, que é num hospital. A gente vê no rosto deles que eles ficam super animados quando nos veem e isso transforma a gente por dentro. Eles nem nos conhecem e nos tratam com tanto carinho”, destaca Amanda.

A hora do conto chegou

Essa entrevista com a professora Sabrina e os dez alunos que compõem o projeto Palavra Encantada já havia acontecido há cerca de três semanas atrás. Mas a vontade de acompanhar a apresentação deste projeto no Hospital de Alvorada e compreender in loco qual a energia desta exibição e a importância dela era necessária.

Por isso, aguardamos até a última quarta-feira, 30/08, para acompanharmos a visita do projeto a ala pediátrica da instituição. E, por onde os alunos passavam – todos fantasiados – chamavam a atenção de pacientes, médicos, enfermeiros e, principalmente, das crianças presentes. O sorriso estampado no rosto delas, enquanto pediam abraços, mandavam beijos e falavam que queriam uma coroa igual ao do príncipe, interpretado por Gabriel Ferreira.

Na apresentação, era possível ver personagens como a Branca de Neve, Bela Adormecida, Peter Pan e Sininho. Todas as figuras de conto de fadas juntas, vivendo em harmonia e com o objetivo de trazer um sorriso, distrair e incentivar a leitura. Tudo isso organizado pela professora Sabrina e os alunos Gustavo da Silva, Kauani Mendes, Gabriel Ferreira, Amanda Gomes, Nicolas Fiorenza, Victor Reinert, Júlia Torres, Carolina Fonseca e Jady Alves.

E, para as mães das crianças, o projeto também é bem visto. Pelo menos é isso que fala Suelen Paiano, mãe de Juan Pablo, que tem um ano e nove meses de idade. “É bom porque as crianças conseguem se divertir e se distrair. Se meu filho pudesse caminhar, com certeza, ele estaria ali no meio brincando junto com eles”, fala Suelen.

A mãe de Sara, que tem três meses, Isabel Cristina, também parabeniza a ação e, quando confunde nossa equipe como organizadores do projeto, abençoa-os e diz para que sigam trabalhando. “Se a minha filha tivesse acordado vocês iam ver como ela ia rir e gostar, porque ela muito risonha. Eu adorei e apoio muito”, enfatiza Isabel.

O sorriso cura

Segundo dados divulgados em 2012, um sorriso movimenta 12 músculos da face e, quando gargalhamos, esse número pode dobrar e chegar aos 24. Já, para a assistente social do Hospital de Alvorada, Elisangela Silveira, além dos músculos utilizados, o sorriso também cura, principalmente na ala em que o grupo se apresenta.

“Quando o projeto adentra nos leitos ele está levando para essas crianças um pouco de cura com a ludicidade que eles trazem. E isso não é só para as crianças, mas também para as mães. Isso mostra que projetos como esse promovem sonhos por causa do encantamento e da magia que eles apresentam”, destaca a assistente social.

Elisangela salienta ainda que, quando o projeto foi apresentado para a instituição, ele foi visto com bons olhos. Isso porque, segundo ela, a pediatria necessitava de uma ação como essa, mas o hospital não tinha condições de realizar algo assim sozinho. “As crianças gostam da ludicidade e isso faz muito bem para elas, que muitas vezes estão num momento de dor”, finaliza a assistente.

Aprendizado que fica

Como citado na primeira parte da matéria, o objetivo do projeto também é trabalhar com essa formação integral do aluno. Além disso, para a professora Sabrina, a ideia está também em formar pessoas mais sensíveis, pois, segundo ela, nós estamos vivendo em um mundo com cada vez menos contato entre as pessoas e que isso a faz pensar em como a sociedade será no futuro.

“Enquanto cidadã e preocupada com o mundo, eu quero que eles saiam deste projeto mais sensíveis, porque eu acho que falta sensibilidade no mundo. A minha preocupação maior é transformar eles em pessoas mais sensíveis no futuro”, confessa a professora Sabrina.

E, esta sensibilidade tão buscada e promovida por Sabrina, já começa a render os primeiros frutos nos alunos que participam do projeto. Pelo menos é possível ver isso no relato da aluna Jady Alves, do terceiro ano do ensino médio. “A gente acaba dando mais valor para as coisas. Tem vezes que a gente fica braba com coisas simples e, quando vemos aquelas crianças, nós vemos que os nossos problemas são pequenos”, conta Jady.

E, além da sensibilidade que os alunos acabam promovendo, tanto em si mesmo como com quem eles falam, a Palavra Encantada também traz a alegria em um momento ruim. Um dos pacientes, Enzo Gabriel pediu para que os jovens continuassem promovendo estas ações, voltando ao Hospital mais vezes.

COMENTÁRIOS ( )