Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017 |

Após 10 dias de alagamento, águas começam a baixar

Todos estes problemas foram ocasionados por dois motivos bem conhecidos

Por Redação em 05 de Outubro de 2012


“Perdi dez galinhas e tive que encontrar algum lugar para deixar meus outros animais”; “Perdi grande parte dos móveis que tinha em casa e tive que “levantar” outros utensílios para não estragar. Todo o ano é assim”; “Moro aqui há mais de dez anos e sempre acontece algo. Fazia tempo que não chovia tanto e não entrava água em minha casa”. Estas foram frases que a reportagem do Jornal A SEMANA ouviu de moradores das ruas Marques do Pombal e Anita Garibaldi, no bairro Americana, durante esses dias de constantes chuvas e enchentes como consequência.
Além destas frases também foi visto ao invés de tênis e roupas normais do dia a dia, macacões especiais para pesca e botas emborrachadas, equipamento utilizado para se locomover pelas águas sujas, fétidas e geladas que ocupavam o lugar do calçamento.
Todos estes problemas foram ocasionados por dois motivos bem conhecidos, o homem e a força da natureza. Sim, o homem porque não se preparou o suficiente para conter a força da natureza que, imprevisível, fez com que centenas de alvoradenses fossem atingidos pelas fortes chuvas que caíram sobre todo o Estado.
Nestas ruas citadas e em outros bairros atingidos, o cheiro forte de peixes e esgoto ficou impregnado e fez com que o local parecesse outro, pois pessoas andando em barcos, estavam na “contra-mão” ao que acontece normalmente nesta época do ano.
Conforme levantamento feito pela Prefeitura, Defesa Civil e Bombeiros, cerca de 400 famílias foram atingidas, onde perto de 100 destas acabaram removidas para casas de familiares e cinco para o Galpão da Nova Americana.

Protesto – Com todos estes acontecimentos, na sexta-feira, 21/09, aconteceu a interdição da ponte da Americana, uma das entradas da cidade. Na ocasião, dezenas de moradores irritados com os episódios trancaram o trânsito por mais de três horas e atearam fogo em pneus e placas de políticos. A Brigada Militar foi chamada para conter o protesto e os bombeiros para extinguir as chamas. Tudo correu dentro da normalidade de um protesto.

Bombas – Para sugar a água represada na várzea do rio Gravataí (entre a Fiergs e Freeway) o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Administração, da ex-prefeita Stela Farias, e da Defesa Civil, ocupada pelo coronel Oscar Moiano, comunicou à Companhia Riograndense de Saneamento/Corsan, que fossem instaladas na segunda-feira,24/09, bombas fazendo assim, que baixasse o nível das águas no local. Mesmo puxando cerca de 500 litros por segundo, a presença do vento sul durante alguns dias não estavam ajudando, pois represava as águas do Guaíba, que consequentemente represava as águas do rio Gravataí.
Porém no final da semana, mais precisamente na quarta e quinta-feira os esforços começaram a surtir efeito e as águas começaram a baixar, porque o vento sul parou de soprar, baixando as águas do Guaíba e rio Gravataí. “Com o final dos ventos, a água começou a baixar. A bomba estará ligada até amanhã e estimamos que se o tempo continuar assim, até sábado esteja tudo dentro da normalidade”, falou Ricardo Selli, agente da Defesa Civil de Porto Alegre em entrevista na tarde desta quinta-feira, 27/09. Porto Alegre está participando do episódio, porque as bombas estão na capital e a água está sendo sugada para o outro lado da avenida Assis Brasil.
Também quem participa desta operação é a Corsan/Alvorada, envolvida deslocando equipes para o campo citado acima, tentando baixar as águas. A gerente da Corsan da Cidade, Elisabeth Gruber, falou da importância da instalação destas bombas. “Acreditamos que a instalação destas bombas está auxiliando para secar o terreno da várzea do Gravataí. Em nossa marcação o nível está diminuindo e o tempo está ajudando”, falou Elisabeth Gruber.

Dique – Em contato com o secretário Municipal de Obras e Viação/Smov, José Luis Correa, o mesmo falou que está sendo buscado há anos junto ao Governo Federal, cerca de R$ 1,6 milhão e estão esperando o depósito do valor por parte da Caixa Econômica Federal, para então começar os trabalhos de construção do Dique que vai conter as cheias do Rio Gravataí, fazendo assim com que não haja mais enchentes como as registradas nos últimos dias. “Estamos esperando o depósito deste valor para elaboração dos projetos e futuras obras do Dique”, disse ele.

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