Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017 |

As dificuldades de quem é dependente de todos para tudo

Marcelo dos Santos foi vítima de bala perdida há seis anos e, desde então, é tetraplégico

Por Redação em 01 de Dezembro de 2017

"Precisando da ajuda de todos para poder ter uma vida mais digna, o morador do Bairro Aparecida busca auxílio nos governos do Estado e Município." (Foto: Guilherme Wunder)


“Uma vida destruída”. É assim que Sérgio dos Santos retrata a história de seu filho, Marcelo Romero dos Santos. Isso porque o alvoradense de 26 anos passou por um drama há seis anos, quando foi vítima de bala perdida próximo a sua casa. Na ocasião, o rapaz foi internado e passou por uma cirurgia. O procedimento arriscado foi realizado e os médicos previam apenas seis meses de vida.

A esperança e a fé de Sérgio foram os fatores que mais deram força para que o pai seguisse em frente. E, seis anos depois, nota-se que o empenho valeu a pena. Isso porque Marcelo superou as expectativas de todos os médicos e segue vivo, seis anos depois. Entretanto, sequelas ficaram. O jovem é tetraplégico e só consegue respirar através da ajuda de aparelhos.

Mesmo assim Marcelo tenta seguir uma vida normal – na medida do possível. O alvoradense estuda em casa com uma professora particular. Maria Solange da Silveira, que leciona para ele, relata que o jovem está acompanhando o ritmo da série em que está. “O Marcelo tem bom desenvolvimento cognitivo, atinge todos os objetivos. Todas as suas necessidades são atendidas e alcançando os objetivos propostos”, explica a professora.

Sérgio conta que seu filho era um rapaz guerreiro e trabalhador, que jogava bola e tinha amigos e colegas. Contudo, hoje essa não é a realidade que ele vive. “O Marcelo é um paciente de alta complexidade e necessita de profissionais altamente qualificados. Ele pode vir a óbito a qualquer hora e não veio ainda devido aos cuidados extremos que temos. E cada dia a situação piora”, desabafa o pai.

A técnica em enfermagem Isabel Navarro, que cuida do jovem há cerca de um mês – antes era outra funcionária a responsável – conta que o rapaz necessita de atenção constante. “A questão respiratória necessita de mais atenção e ele sempre é atendido quando existe a solicitação. Tem todo o respaldo, acompanhamento de fisioterapeuta, médico”, salienta Isabel.

Poder público

Um dos motivos que fazem com que as dificuldades sejam ainda maiores é o descaso do poder público com questões que afetam a família. Segundo Sérgio, o governo, seja Estado ou Município, não conseguem auxiliar a família. Isso acontece nas áreas da saúde e de infraestrutura. “O governo ajuda muito pouco. Pedidos básicos a gente espera semanas para sermos atendidos e é sempre assim”, relata o pai.

O alvoradense mora na Rua Jornalista Cardoso Jarros, no Bairro Aparecida. Tanto sua rua como a que dá acesso, que é a Érico Veríssimo, são de chão batido e, com as chuvas, ficam cheias de buracos. Isso torna a via intransitável para uma ambulância chegar até sua casa e levar Marcelo para um hospital, afinal ele necessita de cuidados extremos.

Além disso, conforme Sérgio relata, o município não tem condições de oferecer uma ambulância e, como o patriarca da família teve de sair do emprego para poder cuidar do filho, fica difícil poder levar Marcelo para a fisioterapia e consultas. “A Prefeitura não tem ambulância, não leva e se leva não traz e assim sou obrigado a contratar uma particular. Ele deveria ser tratado no Hospital em Porto Alegre, onde foi atendido primeiro, pois lá está todo o seu histórico”, conta o patriarca.

Esse serviço custa cerca de R$ 400,00, algo que a família não dispõe no momento. Isso sem falar nos custos com medicamentos, fraldas geriátricas e alimentação balanceada que o Marcelo necessita. E essa situação se agrava quando Sérgio não conseguiu o apoio dos órgãos de saúde para que o transporte do seu filho seja feito de forma segura.

Promessa de melhoras

Sérgio explica que é inviável trafegar pela cidade com o seu filho devido a atual situação das ruas do município. Segundo o alvoradense, o bairro todo está abandonado pelo poder público. “Ruas não temos, ambulâncias não temos, tudo o que temos é muito difícil. É Uma das vilas mais desleixadas e espero que algum vereador venha até aqui encher o saco”, desabafa o morador da Aparecida.

Em contato com o secretário de Obras e Viação (SMOV), Valdemir Martins, foi informado que a Prefeitura tem conhecimento da situação de Marcelo e já se comprometeu em recuperar as ruas da região. Tanto é que a Rua Jornalista Cardoso Jarros já recebeu os serviços de patrolamento. Devido a condições climáticas, as demais ruas ainda não receberam melhorias. “O trajeto prometido será feito, do Hospital de Alvorada, Avenida Maringá, Frederico Dihl. Existem muitas coisas para serem feitas e tudo está na programação da SMOV”, afirma o titular da pasta.

Serviço

A família de Marcelo precisa de auxílio para a compra de fraldas. Quem quiser doar pacotes ou auxiliar de alguma forma, o telefone para contato é (051) 3483.4856 ou (051) 985.550.786.

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