Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2020 |

MP faz operação para coibir prática de rachadinha

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro locais, entre residências e órgãos públicos

Por Redação em 18 de Setembro de 2020

"Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã da sexta-feira, 11 de setembro" (Foto: Divulgação)


O Ministério Público realizou uma operação na sexta-feira, 11/09, para apurar prática de rachadinha exercida no âmbito do Executivo e Legislativo. Conforme apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Núcleo de Inteligência do Ministério Público (NIMP) e da Promotoria de Justiça de Alvorada, pelo menos desde 2017 cada servidor tinha de devolver ao político parte do salário.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro locais, entre residências e órgãos públicos, e apreendidos documentos, celulares, computadores e dinheiro em espécie. Segundo nota divulgada pela Câmara de Vereadores, somente um gabinete foi investigado e não existe relação com a presidência ou com a gestão do Legislativo. O parlamentar em questão é Gerson Luís (PTB).

Contudo, por mais que não exista relação com outros setores da Câmara, a nota assinada pelo presidente Juliano Marinho (PSD), afirma que medidas serão tomadas. “Além disso, diante dessas informações a Câmara está providenciando expediente interno de averiguação para as medidas cabíveis. Assim que levantado o sigilo pelo Juiz será devidamente publicado o procedimento no âmbito do legislativo”, afirma o político.

Pronunciamento de Gerson Luís

O vereador Gerson Luís (PTB) utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores para falar sobre o caso. “Peço perdão aos vereadores, afinal nenhum tem envolvimento como eu nesse processo. Todo o dinheiro que estava lá em casa está provado a procedência. Ficou vergonhoso para eles. Eu sou vereador e sairei daqui de cabeça de erguida. Nem eu e nem a minha família somos ladrões”, desabafa o parlamentar.

Ele parabenizou o Ministério Público pelo respeito que teve com ele na operação e pediu desculpas ao presidente Juliano Marinho por ter envolvido o parlamentar em fake news sobre o processo. Cabe ressaltar que, na tarde de sexta-feira, 11/09, circularam diversas montagens nas redes sociais de que o presidente estaria envolvido e de que teriam encontrado dinheiro nos gabinetes.

Relatos do denunciante

A reportagem do Jornal A Semana conversou com o advogado Augusto Vieira, que trabalha na Prefeitura desde 2017. O assessor jurídico foi o denunciante do processo que foi instaurado pelo MP na última semana. Quando entrou no Executivo, foi através de uma indicação do PTB. Ele afirma que teve cobrado uma parte do seu salário desde o primeiro mês que recebeu.

Segundo ele, esse valor – em torno de R$ 1 mil – era para ser repassado ao gabinete do vereador Gerson Luís. “Eu entrei na Prefeitura em maio e, no mês seguinte, me disseram que eu deveria repassar uma parte do meu salário para eles. Os quatro primeiros meses eu acabei pagando, pois precisava do salário. Depois disso eu fui até o Legislativo e coloquei o meu cargo a disposição, afinal não ia me submeter a isso”, salienta Vieira.

Ele afirma que essa situação o incomodava e que estava sofrendo ameaças do parlamentar – existem boletins de ocorrência sobre os fatos. “Não é perseguição política e sim um ato pessoal meu. Eu não sou político e nem tenho filiação partidária. A minha denúncia não tem cunho político. A minha ideia com esse processo é resguardar e fazer com que Alvorada se livre do câncer chamado Gerson Luís”, finaliza o advogado.

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