Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020 |

Mesmo com os melhores índices do País, reciclagem de lixo segue sendo um grande desafio na região Sul

A região se destaca pela destinação correta, mas apenas uma parcela pequena chega ao fim do processo de reciclagem

Por Redação em 20 de Novembro de 2020

"O Brasil ainda mostra alto índice de destinação incorreta do lixo, com taxa mínima de reciclagem" (Foto: Divulgação)


A gestão dos resíduos sólidos urbanos nas cidades brasileiras se tornou um desafio ambiental de largas proporções. Segundo o portal Brasil 61, quase metade dos municípios brasileiros ainda despeja resíduos em lixões, depósitos irregulares e ilegais. Além disso, 17,8 milhões de brasileiros não têm coleta de lixo nas casas e apenas 3,85% dos resíduos são reciclados.

Os dados fazem parte do Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), elaborado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (SELURB). O estudo revela que, uma década depois da promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o Brasil ainda mostra alto índice de destinação incorreta do lixo, com taxa mínima de reciclagem.

O Sul do Brasil se destaca com um índice de 88,57% na destinação correta, com 73% de cobertura do serviço e 78,45% em arrecadação específica, mas de todo esse material apenas uma parcela de 7,82% chega ao fim do processo de reciclagem. Três cidades chegaram a ser referência em limpeza urbana. Marau, Não-Me-Toque e Presidente Lucena receberam nota máxima em uma pesquisa feita com mais de três mil municípios.

O deputado federal Carlos Gomes (Republicanos), que é ex-catador e presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem no Brasil, avaliou que mesmo fazendo parte do melhor índice do país, acima da média nacional, a reciclagem no Rio Grande do Sul ainda é incipiente por falta de organização, planejamento e investimento.

Ele explica que isso precisa mudar nos municípios para melhorar os índices desde o início do processo que envolve a reciclagem e a destinação correta de resíduos. “É preciso que possamos instalar ainda mais e ampliar a coleta seletiva para mais bairros e que esse material possa passar obrigatoriamente pelos centros de triagem e passando por beneficiamento para agregar valor e renda”, disse o parlamentar.

Pensando nisso, o parlamentar é autor do Projeto de Lei Nº 6545/2019, que agora tramita no Senado e desenvolve políticas de incentivo às atividades voltadas à reciclagem. O projeto cria o Fundo de Apoio para Ações Voltadas à Reciclagem (FAVORECICLE) e Fundos de Investimentos para Projetos de Reciclagem (PRORECICLE), que visa beneficiar cooperativas e famílias que vivem desse meio.

Além disso, é permitida a dedução de parte do imposto de renda devido por pessoas físicas e jurídicas envolvidas em projetos de reutilização, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos produzidos no território nacional. Para o deputado, o projeto pode ajudar as empresas a resolverem o problema da falta de reciclagem no País, sobretudo, dos resíduos produzidos por elas próprias.

Além do impacto ambiental, a proposta traz vantagens na geração de emprego e renda. “Nós poderemos ter um fundo robusto para auxiliar nossas cooperativas no treinamento, qualificação de mão de obra, gestão de negócios, transformando as cooperativas em pequenas indústrias, descentralizando o processo industrial da reciclagem que hoje está no eixo Sul, Centro-Oeste e Sudeste”, afirmou Gomes.

Dificuldades

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Reciclagem e Inovação (ABRIN) e coordenador da ONG Programando o Futuro, Vilmar Simion Nascimento, uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas para incluir o processo de reciclagem nos negócios é principalmente o baixo valor dos resíduos. Isso porque os valores são muito baixos.

Por isso ele defende o apoio e o subsídio do governo e dos fabricantes. “O valor dos resíduos após a separação é inferior a 1% do valor do produto, porque a gente sabe que isso acontece em todas as outras cadeias também, então o baixo valor e o alto custo logístico que a gente tem para coletar e destinar esses recursos são os maiores dificultadores que nós temos hoje”, afirma Nascimento.

Charles Dayer, especialista em meio ambiente, ressaltou a importância do fundo proposto ser bem regulamentado e instrumentalizado. “Uma coisa que precisa ser bem pensada é em como fazer esse fundo chegar na ponta, ou seja, como é que os municípios vão ter acesso a esse recurso para poder aplicar. Porque no fim das contas quem faz a reciclagem não é o Ministério do Meio Ambiente, é a ponta”, disse o ambientalista.

Para aumentar o índice de reciclagem, a Confederação Nacional dos Municípios avaliou que é preciso melhorar o sistema de coleta seletiva, aumentando a geração de trabalho e renda por meio da valorização do trabalho. No entanto, para que esse sistema seja suficiente, a confederação define como imperativa a difusão e a interiorização de indústrias da reciclagem.

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