Sbado, 27 de Fevereiro de 2021 |

Moradores da Avenida Beira-Rio ocupam as margens do Arroio Feijó para evitar o descarte irregular de lixo

A comunidade se organizou para criar alternativas de lazer e evitar a sujeira na região

Por Redação em 22 de Janeiro de 2021

"A comunidade do Bairro Americana está trabalhando para amenizar esses problemas" (Foto: Guilherme Wunder)


O Arroio Feijó divide Alvorada e Porto Alegre nas três pontes de acesso entre os dois municípios. Contudo, apesar de sua extensão e do alto fluxo de carros no entorno do local, inúmeros registros de descarte irregular de resíduos são feitos por moradores da Avenida Beira-Rio. Esses problemas ganham proporções maiores quando ocorrem enchentes no local.

Isso porque o Bairro Americana também é próximo ao Rio Gravataí e, em períodos de grandes chuvas, muitos moradores precisam deixar suas casas. Em momentos como esses não é difícil de encontrar restos de materiais de construção, móveis e animais mortos nas margens do arroio. Contudo, a comunidade do Bairro Americana está trabalhando para amenizar esses problemas.

A alternativa encontrada por muitos é ocupar as margens do arroio com projetos que agreguem na comunidade. Na tarde de segunda-feira, 18/01, a reportagem do Jornal A Semana percorreu a Avenida Beira-Rio – a partir da Rua Itararé até o final da via – e pode registrar pelo menos duas praças e uma horta comunitária nas margens do arroio. Todos os entrevistados afirmam que, entre os objetivos, está coibir o lixo.

Praças

Uma das praças foi feita por Giovane Gomes. Ele conta que a ideia surgiu quando viu suas filhas e as outras crianças sem lugar para brincar. “Não é para mim e sim para nossos filhos. Eu já estava limpando a beira do arroio Feijó e tenho como meta esse ano aumentar a parte da praça, pois espero a ajuda dos vizinhos para cuidar e dar um exemplo para todos”, salienta o alvoradense.

Próximo à praça feita por Gomes existe outro espaço de lazer. Construído por Cristiano Passos, a ideia inicial é coibir o descarte de lixo. Segundo ele, todos os moradores contribuem com impostos para o saneamento básico e para o recolhimento de lixo, mas acabam desassistidos pelos poderes constituídos. O alvoradense desabafa que cansou de esperar e tomou a atitude para deixar o local onde mora mais bonito.

Com isso, além de coibir o lixo, agora a comunidade tem espaços para lazer. “Não temos nenhuma praça no entorno e são muitas crianças aqui no bairro. Antigamente tinha um campo no bairro, mas depois do tratamento de esgoto não tem mais nenhum local para as nossas crianças brincarem. O correto seria ter um local próprio para a nossa comunidade aproveitar”, desabafa Passos.

Horta comunitária

Abaixo das duas praças, Maninho Melo desenvolveu uma horta nas margens do Arroio Feijó. Ele conta que espaços como esse são importantes para a saúde mental e coletiva. “Praticas que envolvem vida, formam a cultura do cuidado. Seja numa praça para as crianças. Seja num árvore que você planta, rega, acompanha o crescimento. Cultivar amor nas pequenas coisas tornam nossos dias mais leves”, conta o músico.

Melo é um apaixonado pela natureza e, devido ao home office imposto pela pandemia do coronavírus, teve mais tempo em casa e, com isso, veio a necessidade de cultivar alimentos. Segundo ele, ver práticas semelhantes surgindo no entorna do Arroio o deixa feliz e inspira a comunidade a cuidar melhor do local onde residem e ter mais qualidade de vida.

Com isso, ele já projeta como quer sua rua no futuro. “Calçada, ou asfaltada. Com iluminação boa e funcionando. Com câmeras de segurança garantindo que não joguem lixo apenas por ser um lugar escondido e sem os olhos dos governos. Sem os braços do estado. Quando o estado não se faz presente, se transforma em terá e ninguém. E terra de ninguém é campo fértil para violências e sofrimento”, finaliza Melo.

O parecer da comunidade

Enquanto a reportagem esteve no local pode conversar com moradores que aproveitam as praças criadas pela comunidade. Lá estavam Agnaldo dos Santos e Zildo da Silva. Os dois estavam sentados na sombra e conversando. Zildo mora no local desde 1962 e conta que, na época que comprou, não tinha nada e nem de chinelo podiam caminhar no local.

Contudo, ele afirma que hoje está tudo muito melhor e que, desde a construção das praças, a comunidade está mais envolvida em manter o espaço com boas condições para que as crianças e idosos do bairro possam aproveitar o local. “Agora não largam mais tanto lixo. Os vizinhos todos estão cuidando por causa da praça e agora não tem mais tanto”, salienta Silva.

Já Agnaldo dos Santos também fala sobre o que falta para a região onde reside e qual a importância de se cobrar melhorias do poder público. “Se melhorassem a rua e colocassem um calçamento. Também seria importante subir mais a rua para terminar com as enchentes. Dizem que existe o plano do dique, mas até agora nada”, finaliza o aposentado.

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