Tera-Feira, 22 de Setembro de 2020 |

O descarte regular e o reaproveitamento do óleo de cozinha na fabricação de sabão

Entidades como a ONG Embrião e a própria Prefeitura auxiliam nas ações para evitar o descarte incorreto

Por Redação em 14 de Agosto de 2020

"A prática da saboaria natural é a mais comum para o reaproveitamento do óleo de cozinha como ocorreu em julho de 2018 numa oficina entre a SMAM e EMATER" (Foto: Divulgação)


O descarte regular do óleo de fritura sempre foi um problema. Por ser menos denso que a água, ele forma uma película que provoca a retenção de sólidos, entupimentos e problemas de drenagem quando colocados em pias ou vasos sanitários. Nos arroios e rios, a película formada pelo óleo de cozinha dificulta a troca de gases entre a água e a atmosfera, causando a morte de peixes e outros seres vivos que necessitam de oxigênio.

Com isso, principalmente os restaurantes precisam ter um cuidado sobre a destinação correta – devido a quantidade. Para Ronaldo Romanovski, proprietário da Churrascaria Santa Fé, são entre 20 e 40 litros por semana. “Isso em época de movimento, mas hoje está bem reduzido. Queremos evitar a poluição e, para isso, é importante que eles reaproveitam o material. Desde que eu tenho restaurante que a gente recolhe”, salienta o empresário.

Para auxiliar no descarte irregular que existem entidades como a ONG Embrião. Segundo Josué Aguiar, a entidade é a única que tem licença da Secretaria de Meio Ambiente (SMAM) para realizar o recolhimento de óleo de cozinha na cidade. Tanto é que, no passado, havia uma placa sinalizando isso no SINE, mas que foi retirada pela Prefeitura – mesmo com as autorizações dos conselhos.

O alvoradense explica que atualmente são recolhidos aproximadamente 400 litros de óleo de cozinha por mês, mas que esse número é baixo devido a pandemia. Já houve períodos em que a entidade recolheu o dobro disso. “Parte deste material utilizamos para fazer oficinas de produção de sabão caseiros. Mas a maior parte e vendida para empresas que produz ração animal, produtos de limpezas e biodiesel”, explica Aguiar.

Essas oficinas são realizadas pela própria ONG Embrião, mas devido a pandemia foram suspensas. “É bem fácil fazer e existem várias receitas. A internet, com os cuidados necessários e presença da família, ajuda muito a todos fazerem em casa. Este ano não aconteceu devido não ter aulas. Mas assessoramos de forma remota quando podemos”, explica o representante da ONG.

Além da paralisação das oficinas, a pandemia também afetou diretamente o recolhimento do material para o seu descarte regular. “Devido a crise sanitária, a maioria dos restaurantes estão fechados ou com pouco movimento. Por causa disso, o óleo de cozinha caiu bastante dentro do comércio. Nossa expectativa é poder retomar isso com força em breve”, finaliza Aguiar.

Oficina da Prefeitura

Em julho de 2018, a Secretaria de Meio Ambiente (SMAM) e a EMATER realizaram uma oficina para falar sobre o reaproveitamento do óleo de cozinha para fazer sabão. Foi informado na época que, além da contaminação, esse óleo pode causar uma danificação na tubulação hidráulica da residência e no pluvial da estrutura urbana. Isso inutiliza as tubulações da Prefeitura, causando problemas de alagamentos na cidade.

Uma das participantes da oficina foi a moradora do Bairro Stela Maris, Setembrina Fernandes, que participa do CRAS da sua região e foi convidada para a oficina. “Eu já faço um tipo de sabão em casa e já tinha brigado com uma vizinha que é dona de lancheria e descartada incorretamente o óleo. Eu faço o sabão e todos os meus vizinhos me pedem também”, relata a alvoradense.

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