Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017 |

Insegurança nos bairros, medo dos alvoradenses

Altos índices de homicídio em Alvorada é o fator mais alarmante nas comunidades

Por Redação em 06 de Outubro de 2017

"Delegado da Polícia Civil, Edimar Machado salientou que o bairro que registra mais homicídios é a Salomé" (Foto: Matheus Pfluck)


Medo. Aflição. Pânico. Esses são apenas alguns dos sentimentos e aflições que passam na cabeça dos alvoradenses entrevistados para a produção desta reportagem. O objetivo? Questionar os altos índices de homicídios na cidade em 2017 e apresentar para a população os motivos destes números e saber quais ações a Polícia Civil e a Brigada Militar estão tomando para solucionar este problema.

Segundo levantamento realizado pelo Jornal A Semana, os números são alarmantes. Até está quarta-feira, 04/10, foram 146 vítimas de homicídios e mais 16 corpos encontrados em 2017. Isso dá ao todo 162 homicídios na cidade, além de 118 feridos. Conforme o delegado de homicídios da Policia Civil, Edimar Machado, os índices já superaram todo o ano de 2016.

“A grande questão é o tráfico de drogas. São duas facções existentes na região que disputam muito violentamente este espaço na cidade. E isso se dá muitas vezes como uma forma de demonstração de poder entre as duas facções da cidade. O problema é que, muitas vezes, eles invadem locais e acabam atingindo inocentes”, ressalta o delegado Machado.

Ainda conforme o delegado, o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC) é o responsável pelas operações e apreensões de drogas no município. Segundo ele, o órgão vem batendo seus recordes anualmente, devido ao aumento das ações e também do tráfico na região, além das disputas de facções.

Bairro Salomé

Machado ressalta que o maior número de homicídios registrados neste ano não foi no Bairro Umbu, que tem a fama de ser violento, mas sim o Bairro Salomé. Isso se dá pela proximidade das facções na região. Em visita a comunidade que mora naquela localidade, foi possível presenciar o medo em quem vive e circula pelas ruas do bairro.

E este é o caso de Arthur Lucas dos Santos, morador do Bairro Maria Regina e comerciante na Salomé. Conforme ele salienta, quando abriu seu comércio, foi informado pelos vizinhos que o local já havia sido assaltado algumas vezes. Quem também falou sobre a insegurança foi Lurdes Menezes, moradora a 56 anos da Salomé. Segundo ela, não tem como se sentir segura, nem na rua e nem dentro de casa.

“Antigamente nós, moradores, dormíamos de portas abertas. Hoje temos que trancar tudo do medo de que entrem na sua casa. Eu já fui assaltada na parada de ônibus e dentro da condução também. A gente está totalmente insegura, independente do horário. A gente que está presa atrás das grades e eles estão soltos”, conta Lurdes.

Demais bairros

Mas não é apenas no Bairro Salomé que a insegurança tomou conta dos moradores. Por isso fomos também ao Porto Verde, que é conhecido por ter saídas de fácil acesso para Viamão e Porto Alegre, além de também ter sedes da Polícia Civil e da Brigada Militar. Entretanto, mesmo com a presença física da segurança, o sentimento não é esse. Pelo menos é o que fala a moradora Vanessa Mathias.

“Não temos policiamento. Não vemos viatura. Se chamarmos eles vão dizer que não tem viatura no local. Meu filho vai e volta para a escola de van, porque não tenho coragem de mandá-lo caminhando por medo de que aconteça algo com ele. De noite também não saímos por medo de sermos assaltados”, conta Vanessa.

No Bairro Formoza, a insegurança também persiste. É o que relata Alec Martins, que conta ter medo de fazer coisas simples como sair para passear ou ir ao mercado. Segundo ele, falta investimento do poder público em questões da segurança e também na educação, para que se possa controlar esse problema.

Ações da Brigada Militar

Conforme o Capitão do 24º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Mauricio Costa Pacheco, houve um acréscimo de 28 soldados e isso já pode ser considerada uma primeira iniciativa no controle dos homicídios da cidade. Esses novos policiais vêm realizando ações de patrulhamento ostensivo nos bairros mapeados pela Brigada como os que têm mais incidentes neste ano.

Ainda segundo Pacheco, apesar desses números acabarem chegando à Brigada Militar, essa é uma questão maior, que passa pelo PIB da cidade, pelo desemprego, pela educação insuficiente e outros aspectos que acabam culminando no aumento da criminalidade. O capitão ressalta que isso acaba repercutindo no trabalho deles e que eles têm de trabalhar com isso, apesar de todo o contexto existente.

“A Brigada, de maneira incisiva, vem realizando operações semanais nos locais de maior incidência criminal. Isso tanto de homicídios como também de outros dados que temos em outros aspectos. Assim conseguimos dar visibilidade e efetividade nos trabalhos. Porém tem de se levar em conta os aspectos econômicos e sociais da comunidade na qual estamos inseridos”, salienta o capitão.

Pacheco ressalta também que o tráfico de drogas e a disputa de pontos realmente são os principais quesitos no número de homicídios. Além disso, o fácil acesso à cidade pode acabar facilitando o escape à entrada de criminosos no município. Por isso também que a Brigada Militar vem realizando ações com o helicóptero da guarnição do batalhão aéreo para realizar perseguições e acompanhamento na cidade.

Como é possível compreender, a Brigada Militar vem realizando trabalhos para tentar controlar os altos índices criminais. Já a Polícia Civil segue com suas investigações, mesmo com a falta de servidores. Isso sem falar da falta de infraestrutura e investimento que ambas sofrem. O problema é que, além deles, quem também sofre com isso são os alvoradenses, que seguirão inseguros iguais a outras tantas Lurdes da cidade, presas atrás de suas grades.

COMENTÁRIOS ( )