Tera-Feira, 06 de Junho de 2023 |

Audiência pública discute impactos econômicos de pedágio na ERS-118

Encontro foi proposto pela Assembleia Legislativa

Por Redação em 28 de Abril de 2023

"Estiveram presentes e se manifestaram sete deputados, lideranças da região metropolitana e o presidente do Movimento RS 118 sem Pedágio, Darcy Zottis" (Foto: Divulgação)


A audiência pública da Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo da Assembleia Legislativa, realizada no final da última semana, discutiu os impactos econômicos da instalação de pedágio na RS-118. O debate foi uma proposição do deputado Rodrigo Lorenzoni (PL) e foi conduzido pelo deputado Gustavo Victorino (Republicanos), presidente do colegiado.

A rodovia RS-118, denominada Mário Quintana, em seus cerca de 40 quilômetros liga Sapucaia do Sul ao Distrito de Itapuã (Viamão). O eixo rodoviário passa pelos municípios de Sapucaia do Sul, Esteio, Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada e Viamão, todos da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela se caracteriza por percorrer um trecho urbano de alto fluxo e com movimento pendular.

Em março deste ano, o governador Eduardo Leite (PSDB) admitiu que há chance de cobrança de pedágio de motoristas que trafegam pela RS-118. Leite ressaltou que não serão instaladas praças de pedágio na rodovia, mas explicou que o governo reabriu os estudos sobre a concessão de estradas da Região Metropolitana e que uma das alternativas avaliadas é o sistema free flow.

Em seu pronunciamento, Lorenzoni disse que considerava o pedágio da RS-118 página virada e, para ele, essa mudança de conduta se explica pela dificuldade do governador em dialogar com a sociedade. O deputado afirmou que considera inadequada a concessão e a consequente adoção de pedágio no trecho. Isso porque, conforme o parlamentar, o Estado tem recursos para fazer a duplicação de 16 quilômetros.

Por sua vez, a deputada Patrícia Alba (MDB) vê insensibilidade do governo com a população que transita diariamente pela rodovia. "O valor da obra não equivale àquilo que a população vai pagar ao longo do tempo de pedágio. Outras localidades terão suas estradas duplicadas a partir da arrecadação aqui na região do Vale do Gravataí", assinala a emedebista.

O coordenador da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da ERS-118, deputado Capitão Martim (Republicanos), também questionou a volta do assunto. Entre outros argumentos contrários a adoção do pedágio, ele salientou que a concessão é de 30 anos, com uma arrecadação estimada em 4 bilhões de reais para uma obra com valor aproximado de 110 milhões de reais.

Também a deputada Stela Farias (PT) considera o pedágio um erro. Ela anunciou que a Comissão de Segurança e Serviços Públicos vai realizar debates públicos nas cidades por onde a RS-118 passa com o propósito de alertar a população sobre a possibilidade de pedágio da rodovia. Stela preconizou a realização de audiência com o governador sobre o tema.

O presidente do Movimento RS 118 Sem Pedágio, Darcy Zottis, ressaltou os impactos econômicos e sociais. Ele mostrou dados sobre a circulação de veículos na RS 118 e que, segundo ele, estão levando o governador a insistir no pedágio. "A 118 seria a financiadora, as comunidades da região metropolitana bancariam duplicações, obras e manutenções em outras rodovias", garante o presidente do Movimento.

Resposta do Estado

O secretário-adjunto da secretaria de Parcerias e Concessões, Gabriel Fajardo, afirmou que a orientação do governador é de iniciar estudos necessários para embasar a decisão que será tomada. "A orientação do governador é de que a secretaria possa estudar agora os lotes de rodovias do bloco 1 e 2 para que se coloque os dados na mesa, independentemente da decisão que será tomada", sustenta o representante do Estado.

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