Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 |

Confusão marca sessão extraordinária para votação do pacote de Appolo

Sob vaias e protestos, vereadores votaram a favor das medidas

Por Redação em 27 de Janeiro de 2017

"Confusão marca sessão extraordinária para votação do pacote de Appolo" (Foto: Matheus Pfluck)


O primeiro mês de governo do novo prefeito ainda nem acabou e já conta com polêmicas e reivindicações dos trabalhadores. Na manhã desta sexta-feira, 27/01, servidores públicos do município tomaram a câmara dos vereadores para acompanhar a sessão extraordinária em que foi votado o pacote de medidas proposto pelo prefeito José Arno Appolo do Amaral (PMDB). Com tumultos, bate-bocas, empurra-empurra e muitos gritos de protesto dos servidores, a sessão teve de ser interrompida e depois suspensa, sendo finalizada em ata assinada pelo presidente da casa Darci Barth (PMDB).
Desde as 9h servidores municipais já se aglomeravam em frente ao portão que dá acesso à Câmara de Vereadores, ao lado da Prefeitura. Seguranças, inclusive de empresa privada, mantinham o portão trancado e impediam a entrada dos servidores e dos próprios vereadores que chegavam para a votação. “A câmara de vereadores fez uma sessão de alto custo, para tirar benefício do servidor e ainda coloca segurança privada paga com o nosso dinheiro. Isso é que causa indignação”, reclama a enfermeira da vigilância em saúde Amanda Passos.
Com gritos de “a casa é do povo”, os servidores discutiam com os seguranças e representantes do governo que se encontravam do lado de dentro do portão. Quando a Brigada Militar chegou ao local, o clima esquentou. O portão foi sacudido pelos manifestantes que continuaram sendo impedidos de entrar. Por volta das 10h45min, os servidores finalmente conseguiram seu objetivo. No tumulto, o vereador Arlindo Slayfer e uma mulher caíram e quase foram pisoteados pela multidão. Tatiana Flores, agente comunitária de saúde no posto do bairro Piratini conta que foi segurada por policiais. “Dois policiais seguraram três mulheres, e eles estavam com as armas. O meu medo era que aquela arma disparasse”, relata a servidora.

Sessão foi tumultuada
Já dentro da Câmara, a situação continuou tensa. Com uma hora de atraso em relação ao horário marcado, às 11h o presidente Barth iniciou a sessão sob vaias e gritos de protesto dos cerca de 200 presentes. O secretário da mesa, Gerson Luis (PTB), iniciou os trabalhos lendo os projetos de lei que seriam postos em votação. Ao ler o projeto que previa a mudança do dia de pagamento dos servidores do dia 30 de cada mês para o quinto dia útil, houve mais vaias e protestos. Outro projeto que causou reprovação era o que estipulava um reajuste salarial anual de 1%. O deputado Celmir Martello (DEM) até propôs uma emenda que aumentaria o percentual para 5%. Apesar de aplaudido pelos servidores, teve sua proposta reprovada pelos demais vereadores pelo placar de 14 votos a 1. Neste momento, os servidores já se encontravam dentro da área restrita aos políticos. Alguns, com ânimos mais exaltados, colocaram o dedo em riste no rosto dos vereadores.
Martello também foi contrário ao projeto que estipulava a não obrigatoriedade do ensino fundamental completo para diretores gerais em cargos públicos. O vereador propôs a exigência de ensino médio completo, mas novamente não foi atendido. “Isso vai desqualificar o serviço público porque são eles (diretores) que mandam nos técnicos que são formados e concursados”, reivindica a enfermeira Amanda. Quanto à alteração na lei de reajuste trimestral, Martello, juntamente com Claudia Girelli (PTB), discursaram contra. Porém, o restante do quórum votou a favor da proposta.
Assistindo a uma série de aprovações de projetos que não os agradavam, os servidores subiram na tribuna e pediram o fim da sessão. Em seguida, o presidente Barth interrompeu e depois encerrou a sessão. A câmara permaneceu lotada mesmo depois do fim das votações. O vereador Julio Bala (PMDB) se envolveu em uma briga com um servidor. “O assessor chegou a acusar o colega de ladrão por ter roubado o microfone sendo que foi o próprio funcionário da câmara que tirou”, relatou o vigia municipal Paulo Sérgio da Silva.

Anulação
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada (Sima), Rodinei Rossetto disse que pedirá a anulação da sessão na justiça e não descarta uma greve da categoria. “Não descartamos uma greve. Vamos avaliar o cenário. Ainda apostamos que tenha diálogo com a administração. Mas não se descarta uma assembleia para discutir as medidas que serão tomadas”, enfatiza. Rossetto acredita que o pacote de Appolo prejudica os servidores. “É um achatamento nos direitos dos trabalhadores. Porque tudo no Brasil que não for compensado pela inflação é um achatamento”, protesta.

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