Tera-Feira, 02 de Maro de 2021 |

Atendimentos do posto de saúde do bairro Cedro geram descontentamento nos usuários do SUS

Diversos são os relatos de descaso dos usuários na prestação de serviços para a comunidade

Por Redação em 05 de Fevereiro de 2021

"A Secretaria de Saúde informou que não havia registros de reclamações sobre a UBS Cedro na Ouvidoria" (Foto: Guilherme Wunder)


Ao longo das duas últimas semanas, a redação do jornal A Semana recebeu diversos relatos de moradores do Bairro Cedro. O motivo seria o atendimento precário ofertado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) da região. Entre os principais pontos destacados pelos usuários do posto estão a falta de profissionais, demora no atendimento e a falta de atenção e respeito dos servidores com a população.

O parecer da comunidade

Adriana Maria Ribeiro, 54 anos, foi a primeira pessoa da região a procurar o Jornal A Semana. Isso aconteceu após o atendimento de quinta-feira, 28/01. “Eu falei que iria chamar o jornal para denunciar o descaso e a técnica Camila disse que era para avisa-la que se maquiaria no dia. E outra, nesse mesmo dia eles estavam fazendo festinha dentro do posto. Pararam o atendimento para comer e beber”, desabafa a moradora.

Segundo Adriana, seu neto tem mais de um ano e nunca foi atendido pelo médico responsável, mas sim por um enfermeiro. Ela explica que, por mais que agendem com o médico, não é ele que os atende. “Eles dizem que ao olhar o paciente e perceberem visualmente que aparentemente não tem problemas sérios passam para o enfermeiro atender”, explica a alvoradense.

Foram mais de duas horas de espera e somente depois de reclamações que foram chamadas. “Toda vez eles enrolam e desviam o atendimento para o enfermeiro, ela [técnica Camila] disse que eu estava exaltada e que era pra eu baixar a voz que iria chamar a Guarda Municipal, pois é a comunidade que precisa deles e não o contrário e que a gente só iria passar com o medico porque ela quis”, finaliza Adriana.

A indignação de Adriana é a mesma de outros usuários. É o caso de Jéssica Brazeiro, 25 anos, que está grávida e fazendo o acompanhamento no posto. “Já estou no oitavo mês de gestação até agora não ganhei nenhuma ecografia do SUS, vacinas vou tomar só agora. O médico Moacir falta bastante, não comparece e acabam dispensando todo mundo. Todas as ecografias eu tive que pagar”, explica a jovem.

Essa falta de profissionais também é destacada por Solange Saraiva, 56 anos, que também consulta no local. “Temos que ir para fila 5h e ficar na calçada sem proteção alguma. Quando chega a nossa vez é agendado para meses depois. Mas isso tudo é falta de funcionários porque são três mil pacientes para um médico e dois enfermeiros. Faltam materiais para eles trabalharem”, justifica a dona de casa.

Segundo outra alvoradense, que preferiu não se identificar por medo de represálias, a UBS Cedro sofre há bastante tempo. “Antes da pandemia o atendimento já era péssimo. Agora ficou pior. Faltam médicos. Para ser atendida é preciso estar lá 05h para pegar ficha às 08h. E as vezes nem é atendido. Faz uns dois meses ou mais que estou agendada para fevereiro”, conclui a pessoa que não quis se identificar.

Respostas do Executivo

A reportagem do Jornal A Semana visitou o posto de saúde em questão na manhã de terça-feira, 02/02. Contudo, nenhum servidor que trabalha no local e nem a coordenadora quiseram conceder entrevista. Por causa disso, a diretora de enfermagem Clarissa Troyano foi entrevistada e falou sobre as reclamações da comunidade referentes à UBS Cedro.

Ela explicou que não existe falta de médicos e que a equipe do posto de saúde está completa, mas que existem imprevistos que podem afetar na espera. “A gente tem dois médicos lá. Um deles é o doutor Moacir, que teve uma fratura e está de atestado. A equipe está completa quando se falam em médicos, técnicos e enfermeiros. Contudo, estamos em período de férias e existem os atestados”, salienta Clarissa.

Já sobre o atendimento de alguns funcionários com o público externo, Clarissa informou que não existem registros de reclamações, mas que irá averiguar as denúncias. “Nunca me chegou nenhum relato de reclamação sobre a postura dela. Nem na ouvidoria existem relatos sobre isso. Nunca chegou nada e a gente desconhece esse comportamento dela”, enfatiza a diretora.

Sobre os exames que foram solicitados por Jéssica, Clarissa explica que isso foge da alçada municipal. “Eco cardio fetal o agendamento é realizado pelo paciente e é agenda do Estado. Não temos ingerência sobre o exame”, ressalta a gestora.

Já sobre a suposta confraternização realizada na quinta-feira, 28/01, a gestora informou que esse é o dia de ações internas das equipes. “Quartas e quintas são os dias de reuniões das equipes nos postos de saúde. Não estamos sabendo dessa festinha em especifico, mas a reunião tem que acontecer a cada 15 dias devido à pandemia do coronavirus”, finaliza Clarissa.

Canal para reclamações

A Secretaria de Saúde (SMS) conta com uma ouvidoria para atendimento da comunidade. As reclamações e sugestões podem ser feitas presencialmente na sede da pasta, localizada na Avenida Presidente Getúlio Vargas, Nº 1116; através do telefone (51) 3411.8003 e do e-mail: sms@alvorada.rs.gov.br. Mais informações podem ser encontradas no site da Prefeitura.

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