Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020 |

Casa de Acolhimento sofre surto de coronavírus com moradores em situação de rua

Oito casos foram confirmados e Prefeitura confirmou que a Casa não quis abrigar os contaminados pela doença

Por Redação em 23 de Outubro de 2020

"A Associação Beneficente Projeto Restaurar tem um convênio com a Prefeitura e presta serviços na Rua Icaraí, Nº 352, no Bairro Sumaré" (Foto: Guilherme Wunder)


Em maio deste ano, a Prefeitura anunciou que a Casa de Acolhimento passaria a atender em regime diurno e noturno. Ao invés de somente passar a noite, os moradores em situação de vulnerabilidade social – indivíduos em situação de rua – poderiam passar o dia no local. A ampliação do serviço visava aumentar o atendimento devido a pandemia do coronavírus no município.

Contudo, cinco meses depois desse avanço, a ideia de que a ampliação do horário fosse beneficiar os moradores na pandemia sofreu intercorrências. Isso porque, segundo levantamento do Jornal A Semana, na quarta-feira 14/10, foram confirmados oito casos de coronavírus dentro da Casa de Acolhimento e, ao invés do isolamento, os alvoradenses não puderam ficar no espaço.

Em contato com o secretário de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (SMTASC), Daniel da Silva, foi confirmado que os oito moradores foram expulsos após terem sido positivados para a doença. “A Casa não podia ter feito isso. Ela tem dois ambientes e a SMS orientou que fossem isolados, mas os responsáveis pelo espaço foram intransigentes. Quatro deles passaram o final de semana no Hospital e outro foi acolhido pela gente”, salienta o titular da pasta.

Segundo ele, os oito pacientes foram proibidos de acessar o local na quarta-feira e, na manhã de sexta-feira, 16/10, cinco deles foram encontrados. Destes, quatro foram para o Hospital de Alvorada – onde permaneceram até a manhã de segunda-feira, 19/10 – e um foi alocado em um espaço da Prefeitura. Os outros três casos não foram encontrados depois de terem testado positivo.

Silva afirma que os relatos que os depoimentos dos cinco que estão sendo cuidados pela Prefeitura é de que o atendimento prestado pela Associação Beneficente Projeto Restaurar – entidade que administra o espaço – foi horrível e de que os pacientes foram tratados de forma desumana. Conforme relatos, após a confirmação, a entidade orientou que eles fossem fazer a contraprova e não os aceitaram de volta.

A assistente social Nara Forte relata que a instituição foi orientada de que era possível fazer a quarentena lá, mas negaram o atendimento. “A Casa foi orientada sobre as medidas que deveriam ser tomadas. A instituição entendeu que não poderiam ficar com as pessoas contaminadas e repassaram para o Centro de Saúde. Quando os moradores retornaram, a Casa não os acolheu e isso nos pegou de surpresa”, explica a servidora.

Conforme a SMTASC, está se trabalhando para romper o contrato e tomar medidas judiciais contra a entidade que administra o espaço. “Eles estão sendo cuidados e nós vamos debater as questões contratuais com a PGM e a entidade. Ainda não se sabe o que vai acontecer de fato, mas estamos trabalhando para tomar medidas”, finaliza Laysa Girelli, que compõe o departamento jurídico da pasta.

Manifestação do Projeto Restaurar

A Associação Beneficente Projeto Restaurar tem um convênio com a Prefeitura e presta serviços na Rua Icaraí, Nº 352, no Bairro Sumaré. Lá trabalha Fernando Silveira, que é o coordenador do espaço. Ele explica que a entidade é de atendimento social e não de atendimento a saúde, mas que não houve expulsão de moradores e sim o encaminhamento para o Centro de Saúde.

Além disso, ele afirma que o número de pessoas está equivocado. “Foram cinco pessoas que encaminhamos para o Centro de Saúde. Esse número da SMTASC não confere e até estranho eles dizerem isso. Nós seguimos as ordens que temos e não podemos ficar com pessoas contaminadas. A pergunta que se faz é sobre quem deveria: essas pessoas sofrem com uma questão de saúde e não de assistência social”, salienta Silveira.

Sobre um possível rompimento de contrato, ele afirma que é possível, mas não vê isso ocorrendo. “É uma prerrogativa que eles têm, mas nós não expulsamos ninguém. Todos foram encaminhados para fazer o exame no Centro de Saúde. Dali eles deveriam ser encaminhados para uma instituição de saúde. Não existe nada de expulsão e nós fizemos todos os trâmites possíveis”, finaliza o coordenador.

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