Domingo, 26 de Março de 2017 |

Carta do leitor

Alvorada e a Teoria das Janelas Partidas

Por Redação em 03 de Janeiro de 2014


Olhando essa foto, você seria capaz de identificar que local é esse? Errou quem pensou que trata-se de um local abandonado... Ou será que acertou?
O local em questão é o CRAS Cedro, e essa foto foi tirada as 18 horas do dia 30 de dezembro de 2013, um dia após o 2º arrombamento em menos de uma semana. Se considerarmos o incêndio provocado no inicio de dezembro, contabilizaremos três exemplos de vandalismo em menos de 30 dias.
Agora me digam: essa é a aparência de um aparelho público cujo principal função é ser um espaço de convivência e fortalecimento de vínculo para resgate e promoção da autoestima e cidadania da comunidade?
Está mais que provado que o núcleo do Governo Serginho, apesar de se notabilizar e ser reconhecido pelo seu perfil aristocrático, nunca nem ouviu falar da Teoria das Janelas Partidas, ou "broken windows theory".
Elaborada em 1982, quando o cientista político James Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, publicaram um estudo na revista Atlantic Monthly, estabelecendo, pela primeira vez, uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.
Nesse estudo, utilizaram os autores da imagem das janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se na comunidade, causando a sua decadência e a conseqüente queda da qualidade de vida.
Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se, por exemplo, uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse, incontinenti, consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo iria concluir que ninguém se importava com a situação e que naquela localidade não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.
Uma estratégia de êxito para prevenir o vandalismo, dizem os autores do estudo, é resolver os problemas quando eles são pequenos. Reparar as janelas quebradas em pouco tempo, e ver-se-á que os vândalos terão menos probabilidade de estragar mais.
A teoria faz duas afirmações principais: que o crime de pequena escala ou comportamento anti-social é diminuído; e que o crime de grande escala é, como resultado, prevenido.
O esquecimento do CRAS Cedro não se comprova apenas pela imagem de abandono que vemos na foto, ele se consolida também pela falta de uma equipe de limpeza que faça o asseio periodicamente, compelindo os competentes e dedicados profissionais que atuam nesse CRAS, a se desviarem de suas funções se não quiserem conviver em meio à sujeira, ao lixo e às pragas.
Outra prova do sucateamento deste aparelho público é a ausência total de infra-estrutura oferecida pela Prefeitura, que desde o final do Governo Brum, não contratou um único oficineiro para oferecer atividades pedagógicas e/ou lúdicas aos cidadãos que freqüentam os grupos de convivência e fortalecimento de vínculo nesse espaço.
Espero que em 2014, o Governo Serginho conceda aos espaços de acolhimento, a mesma salubridade que temos encontrado nos espaços administrativos.

Dudu Corrêa – ativista político

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