Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020 |

Editorial

É inviável romper com a CORSAN, mas...

Por Redação em 19 de Junho de 2020


Há cerca de um mês que já se debate esse assunto na cidade. A insatisfação dos alvoradenses – sejam políticos ou civis – com o trabalho prestado pela CORSAN vem esgotando a paciência de muitos. Estragos na infraestrutura viária e o aumento da conta da água com o incremento da taxa de esgoto – ainda mais em tempos de pandemia e crise econômica – vem prejudicando ainda mais a imagem da estatal.

Isso fez com que o Legislativo cobrasse, mais uma vez, a presença de representantes da CORSAN e cogitasse o rompimento de contrato. A ideia era de que Alvorada tivesse uma empresa própria para tratar e distribuir a água no município. Contudo, isso é muito difícil de acontecer e, por mais que exista vontade, a inviabilidade técnica e financeira é maior e vamos explicar os motivos.

A CORSAN investe muito dinheiro em Alvorada mensalmente – fora as grandes obras, como a ETE. Isso faz com que ela tenha um capital financeiro grande investido no município. Para que se rompa um contrato, o poder público teria de indenizar a empresa em cima de todos os investimentos que eles fizeram na cidade. Segundo autoridades, o orçamento anual da Prefeitura não comportaria isso e iria sobrecarregar financeiramente diversos outros governos.

O que mais chateia a comunidade é que o aumento da conta se dá em um momento atípico. O Brasil enfrenta uma crise na saúde pública e econômica por causa da pandemia do coronavírus e Alvorada já sofre com a baixa renda desde antes disso. Soma-se os dois fatores e o impacto de um aumento de 70% é muito agressivo para quem está apertado todo final de mês.

Pesa, além disso, outros aspectos como mau cheiro e coloração da água, dos estragos feitos na infraestrutura viária e na discussão sobre a soleira negativa e as multas. É uma série de erros da CORSAN – com conivência dos poderes constituídos que deixaram chegar a esse ponto – e que afeta diretamente a população sofrida, honesta e trabalhadora de Alvorada.

Certamente o rompimento do contrato com a estatal não passa do campo político, mas uma coisa se tem certeza: algo precisa ser feito. As coisas precisam mudar – e muito – para beneficiar e contemplar quem realmente é atendido pela estatal: o povo alvoradense. Os valores angariados se distanciam em muito da qualidade do serviço prestado e está deixando a todos sem paciência e desgastados. É preciso mudar e cobrar de quem pode para que tenhamos uma vida mais digna sempre. Ainda mais com o bem precioso que é a água.

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