Domingo, 25 de Outubro de 2020 |

Editorial

A ausência da bandeira alvoradense

Por Redação em 09 de Agosto de 2019


Nessa semana Alvorada entrou para o quadro de medalhas dos jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. O atleta Alef Fontoura foi bronze no remo e disputará mais uma prova (ao lado do também alvoradense Evaldo Becker) no sábado. Isso significa que Alvorada pode encerrar o final de semana com até três medalhas neste que é um dos maiores eventos esportivos do mundo.

Mas o que chama a atenção, tanto nesse esporte como em tantos outros, é a falta da bandeira da cidade tremulando ou encobrindo o atleta vencedor. Não se vê isso no remo e nem em outros esportes. Isso é uma pena para a imagem de Alvorada, que sofre com as notícias negativas diariamente (basta analisar o Atlas da Violência que foi divulgado no início da semana).

Porém é necessário se perguntar: porque os alvoradenses vão expor com orgulho o símbolo de uma cidade que não os apoia? Qual o sentido disso? Não há como negar que as administrações que passaram pela Prefeitura pouco fizeram pelos esportistas da cidade. Existem raras exceções, mas que quase sempre são ligadas ao futebol e ao futsal da cidade.

Historicamente e culturalmente, outros esportes sempre foram deixados de lado. O foco sempre foi o futebol. Isso a gente pode ver nas televisões e rádios. Basicamente todos os veículos de comunicação não tem espaço para outros esportes. As exceções são quando surgem ídolos (Guga no tênis, Senna na F-1 e Medina no surf são apenas alguns exemplos).

Só que erra a administração que visa medalhas ou troféus com o esporte. O poder público tem que ver no esporte uma profissão ou um projeto social para tirar as crianças da rua. O título que pode ser conquistado está numa vida digna e justa para os esportistas, os tirando da criminalidade ou do desemprego. Esse é o gol ou a cesta que os gestores precisam comemorar.

Hoje não existe isso. Faltam incentivos para alguém tentar viver do esporte. Faltam alternativas para que esses atletas possam se locomover e participar de competições. Não existem programas de incentivo ou bolsas de estudo para quem vê no esporte uma alternativa de ser o primeiro de sua linhagem fora do crime. Esporte também é educação, segurança e assistência social.

É imprescindível se investir mais nessa área e fugir do nicho futebol/futsal. É preciso buscar maneiras de se auxiliar financeiramente esses atletas que, muitas vezes, serão o futuro de Alvorada. Com isso, talvez seja possível ver mais alvoradenses nos pódios, mais símbolos da cidade na mídia e melhor autoestima da população do município, que precisa dessa esperança para seguir lutando.

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