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Editorial

A fome como reflexo da crise

Por Redação em 26 de Julho de 2019


Nos últimos dias, a pauta da fome no país voltou à tona. Tem quem diz que ainda existe e tem quem diz que não. Contudo a realidade vista por quem anda pela cidade e coloca o “pé na lama” é clara: Alvorada ainda sofre com a fome em bairros carentes onde a extrema pobreza ainda é uma triste realidade. Um exemplo está na comunidade batalhadora do Sitio dos Açudes.

O bairro, conhecido como um dos mais carentes do município – senão o mais – é repleto de famílias trabalhadoras e que, com dificuldades, tentam colocar comida na mesa. Infelizmente nem sempre conseguem, mas será que isso é apenas “culpa” deles? Será que essa conta deve ser paga apenas pelo seu João e pela dona Maria, que lutam por uma vida digna a cada dia que passa?

Vamos adentrar no Sitio dos Açudes. Lá existe apenas uma escola municipal (ensino fundamental). A principal “avenida” e a rua de acesso são de chão batido. Pouquíssimo pavimento se encontra. Um bairro que sofre com invasões, mas também com falta infraestrutura. Não há posto de saúde e nem projetos sociais no bairro. Apenas um ônibus circula na região e a última linha é às 22h15.

Não falta atenção apenas do Executivo. Muitos moradores desabafam sobre edis que prometem mundos e fundos, mas acabam sumindo depois de eleitos. A comunidade diz que é tratada como mortos de fome e que podem ser comprados pelo estômago. Quem julgaria? Uma família com crianças e precisando de alimentação, muitas vezes sem estudo e desempregada não tem como não aceitar a cesta básica.

Quem anda nas ruas sente tristeza. Não diretamente por quem mora lá. Andando pelo local é possível ver que as crianças correm e as mães sorriem. Todos procurando a felicidade em coisas simples da vida. Só que todos sabem a preocupação que está no íntimo de cada um: o desemprego, contas chegando e as crianças com fome. Todos dependentes apenas de uma escola, que é a única presença política no bairro.

Isso é um triste reflexo de uma realidade controversa. Alvorada cobra do presidente, governador, senadores e deputados que exista um tratamento especial. O argumento: Alvorada tem o menor PIB, índices elevados de criminalidade e falta de emprego. Contudo, se diminuirmos o espectro, o Sitio dos Açudes passa por uma realidade semelhante.

É o bairro mais pobre, com mais desemprego e sem presença do poder público. Eles também cobram atenção da Prefeitura, da Câmara de Vereadores e entidades constituídas, mas pouco recebem. Infelizmente é triste uma cidade que cobra atenção por passar dificuldades não ser o exemplo de política diferente. Contudo, faz o mesmo que os outros fazem com ele: escutam a cobrança, fazem promessa, mas não dão a atenção necessária.

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