Sbado, 26 de Novembro de 2022 |

Editorial

As bandeiras afastam?

Por Redação em 23 de Setembro de 2022


Alvorada teve um final de semana de muitas atividades. Na praça João Goulart houve uma série de shows alusivos ao aniversário do município. Já no feriado teve o desfile temático da Semana Farroupilha. Dois eventos bem organizados, com boas atrações e em dias bonitos, sol entre nuvens, agasalhos leves. Tudo para ser um sucesso de público, mas quem esteve nos locais ficou com o sentimento de que poderia ser muito mais.

Fica complicado prever de fato quais foram os motivos para o público esperado – e que já houve em anos anteriores – fosse alcançado. O feriadão? A falta de investimentos? O receio da Covid-19? O transporte coletivo? As mudanças de locais tradicionais? São diversas as teses que podem ter impactado em maior ou menor escala. Contudo, existe uma tese que muitos abraçaram.

Eleições de 2022. Mais um ano complicado, com os sentimentos a flor da pele e uma apreensão pelos resultados – devido a polarização que já era esperada. Tanto na praça quanto no desfile, muitas bandeiras partidárias e campanhas acontecendo. O problema é que, apesar dessa apreensão sobre o pleito, uma parcela significativa da população já está de “saco cheio” da política.

Na praça ficou nítida a divisão do público. Quem subia no palco via, à direita, dezenas de bandeiras políticas; e a esquerda, o público “civil”. No desfile não houve essa divisão, mas haviam muito mais bandeiras políticas do que pessoas que foram de fato assistir ao desfile. Obviamente que isso faz sentido, afinal a circulação de pessoas seria maior do que em outros lugares, mas qual o efeito disso?

Mostrar as bandeiras é dar volume para a campanha e se sabe que muitos gostam de votar no vencedor. E não foram poucos os relatos de: “Achei que hoje era desfile e não eleição” ou “Não consigo enxergar o show por causa dessas bandeiras”. Será que isso agrada o público presente? O tiro não pode sair pela culatra e a experiência ruim afastar determinado eleitor.

Difícil prever até porque cada eleição é diferente das anteriores e não se tem como acertar com exatidão o resultado de determinadas ações. O que se sabe é que uma parcela significativa da população não está querendo falar de eleições e não gostou de ver os eventos tomados por atos políticos. Isso sem falar dos que não compareceram – e esse pode ser um motivo.

E esperamos que no próximo ano, longe das manifestações políticas, floresça e renasça mais forte o espírito de patriotismo e de tradição.

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