Sábado, 29 de Abril de 2017 |

Editorial

As mais diversas causas da violência

Por Redação em 27 de Junho de 2014


Vivemos em uma sociedade onde somos vítimas das mais diversas formas de violências. São ações explicitas e veladas que nos atingem a cada dia, muitas vezes sem mesmo percebermos.
No último mês a cidade viveu intensamente a perda de moradores vítimas do trânsito, mais especificamente, de atropelamentos.
Um deles foi uma mulher de 50 anos que, assustada com uma ameaça de assalto, correu para o meio da rua na tentativa de fugir e acabou morta, atingida por um carro. Neste caso o condutor do veículo foi outra vítima, que vai levar esse trauma para sempre consigo, pois estava respeitando a velocidade da via e o exame de teor alcoólico a eximiu de qualquer resquício de culpa. Então a culpa, neste caso, muitos acham que foi do assaltante, que de bicicleta vinha cometendo delitos já há vários dias. Mas onde estavam as autoridades que, mesmo possuindo esta informação, ainda não haviam acabado com essa situação do ladrão ciclista?
Dias depois foi um jovem, com metade da idade da primeira vítima, 25 anos, que acabou atropelado, dessa vez em cima da calçada, perto de sua casa, na manhã de um feriado.
Em uma rua íngreme um carro que a subia em alta velocidade perdeu o controle, subiu na calçada o atingindo e, antes de fugir, colidiu com outro veículo. Conforme testemunhas, que não conseguiram anotar a placa do carro preto, ele saiu bem danificado, inclusive com um pneu estourado.
Após alguns dias na UTI o jovem alvoradense não resistiu e também morreu. Contudo até o momento o responsável não foi identificado. E a culpa é de quem? Na cidade há câmeras de videomonitoramente e controladores de velocidade, contudo todos estão inoperantes, o que leva os motoristas a desenvolverem uma sensação de impunidade que acabou se concretizando nesse caso.
A batalha não é só pela vida, mas principalmente pela justiça, que nos parece esquecida quando os instrumentos se perdem pela falta de vontade e competência.
Há ainda um outro caso, quando acontece um assalto ou acidente em local e horário inusitado e nós, vítimas, somos apontados como responsáveis pela consequência de um momento de distração, ou de má sorte mesmo.
Como cidadãos temos que andar pelas ruas nos cuidando, policiando a nós mesmos e a todos que passam. Caso contrário corremos o risco de sermos apontados como vitimas de nossa própria distração. E lá vem uma nova violência, que é a de culpar o inocente, negligenciar o agressor e se eximir de qualquer responsabilidade.
E neste contexto, nós que pagamos altos impostos nos perguntamos onde estão os governos que deveriam nos proteger. Em outubro próximo teremos a oportunidade de mudar um pouco nossa realidade, esse é o momento que temos de tempos em tempos, mas nem sempre nos damos conta. Então, é melhor estamos atentos.

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