Quarta-Feira, 26 de Julho de 2017 |

Editorial

Como promover a “regulação da mídia”

Por Redação em 12 de Abril de 2013


Essa semana a capital do Estado e nossa vizinha Porto Alegre, sediou dois importantes espaços de aprendizagem e discussão. Simultaneamente ao Fórum da Liberdade já em sua 26ª edição, aconteceu o Fórum da Igualdade, organizado por entidades sindicais e que teve em sua abertura a presença, com declarações polêmicas, do governador Tarso Genro. Discutindo ética e a justiça social e a liberdade de expressão nos meios de comunicação, os temas levaram o governador do Estado a defender a “regulação da mídia” e a criticar a imprensa em seu pronunciamento.
Ele lembrou que o atual sistema de mídia é composto por monopólios e oligopólios, e que não há liberdade para a circulação de opinião. Ainda disse que 80% do conteúdo de rádio e de televisão deveriam sair do ar porque não atendem requisitos constitucionais sobre informação e educação. Ele lembrou que a Carta Magna do País assegura a preferência por fins educativos, artísticos, culturais e informativos para os meios de comunicação social.
Negando defender a interferência na produção de conteúdos, apontou críticas a coberturas jornalísticas e afirmou ter sido vítima de manipulação da informação e de ataques da mídia quando ocupou ministérios no governo Lula.
Para ele, a saída para a “ideologização da informação” seria criar um fundo público que financiasse cooperativas jornalísticas de alto padrão de qualidade e alcance. Essas organizações, acredita ele, não dariam um tom ideológico à informação e garantiriam a “livre circulação da nossa opinião no Brasil”. Por fim, criticou a cobertura da imprensa em casos de corrupção.
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O discurso efusivo do governador esqueceu de mencionar a liberdade de imprensa, que muitas vezes foi defendida e tão propagada, também de forma veemente, pelos partidos ditos de esquerda que ele representa. Avaliamos que a qualidade da imprensa moderna, nada mais é do que o reflexo da cultura do povo, e que o acompanhamento de casos como os de corrupção ou desvio de dinheiro público é não só um direito, como também obrigação dos veículos.
Constamos, também, que tanto nas mídias impressas como na visual, há todos os tipos e qualidades de informação, cabendo à população a escolha do que acredita ser a melhor informação.
Concordamos com a falta de qualidade e seriedade de alguns programas e veículos de comunicação, mas também concordamos que a liberdade é essencial para o desenvolvimento de um povo e de sua consciência política e social.
A educação é a base de tudo, e só teremos uma imprensa de qualidade quando conseguirmos formar, desde o fundamental, bom comunicadores. Pessoas comprometidas com a verdade e com a ética, sendo que isso se aprende, principalmente, em casa.
Uma família com bons princípios é formadora de uma sociedade digna. E quando o Estado der condições aos pais de proteger, alimentar, vestir e educar seus filhos, os governantes não precisarão mais se preocupar com a “regulação da mídia”.

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