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Editorial

Enquanto a Feira do Livro vive...

Por Redação em 08 de Novembro de 2019


Essa é uma semana rica para quem pensa e promove a cultura no município. Isso porque é a semana da 17ª Feira do Livro de Alvorada, considerado por muitos como um dos principais eventos do município (junto ao carnaval e do Acampamento Farroupilha, aniversário da cidade). Com certeza é uma força-tarefa com que as atividades aconteçam, ainda mais tendo em vista todos os entraves econômicos que a cidade tem.

Antes que pensem que esse texto vai falar que os valores deveriam ser investidos em outras áreas, afirmamos que não é essa ideia. Isso por dois motivos: primeiro que todos tem ciência que existem recursos destinados exclusivamente para a educação e cultura; e segundo que se acredita que é importante investir em áreas que garantam o lazer e a qualidade de vida. A feira do livro é isso.

Serão quatro dias em que a Praça João Goulart estará lotada de crianças, professores, jovens e adultos. Todos buscando o prazer da leitura, o entretenimento do teatro ou a festa das apresentações ao vivo. Um fim de semana onde aquele espaço estará vivo para toda a população alvoradense. Sem falar que, por mais que chovam, todos os ambientes são cobertos e nada atrapalhará a festa.

Contudo, por mais que esse seja um grande evento, coincidentemente ele cai na mesma semana em que se encerrou mais um prazo dado para a conclusão do CEU das Artes. Isso mesmo. Enquanto a cultura vive por quatro dias na Praça João Goulart, o espaço que deveria abrigar as artes durante todos os 365 dias do ano segue fechado e com problemas nas obras.

A única novidade é que o espaço, assim como outros já entregues à população, somente trocou de nome e deve ser chamado a partir de agora de Estação Cidadania Cultura.

Já são pelo menos cinco anos desde que as obras começaram e o elevador segue sendo o empecilho apresentado pelo poder público. Isso mesmo com a Câmara de Vereadores tendo conseguido comprar um equipamento como esse em cerca de seis meses – após o fim das obras. Na teoria, o CEU já está pronto há pelo menos dois anos e até hoje não chegou o bendito elevador.

Enquanto isso, os ativistas culturais tem que se contentar com quatro dias agora, mais três no início do ano e cerca de 20 dias em setembro. Somando tudo, não chega a um mês de cultura viva ocupando o município. Infelizmente, afinal poderia ser muito mais se o tão aguardado CEU das Artes abrisse suas portas para a população – isso porque não se adentrou no tema da biblioteca, que também está de canto e esperando o CEU.

A atual administração, assim como as outras (fique claro que Alvorada sempre pecou nessa área), segue sem dar o devido valor para a cultura do município. Falta valorizar os artistas locais, que penam para sobreviver e são chamados para se apresentar de graça pela Prefeitura; enquanto que os de fora recebem altos caches. E os espaços culturais que teimam em abrir suas portas para fornecer uma válvula de escape à população que carece de lazer fora da rotina.

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