Quinta-Feira, 23 de Novembro de 2017 |

Editorial

Heróis desmascarados

Por Redação em 17 de Abril de 2014


Na última semana foi lançada, em Alvorada, a Rede de Atendimento à Mulher com o objetivo de avançar no combate à violência doméstica e familiar na cidade. A intenção é integrar todos os organismos que atuam na defesa da mulher, para que o resultado seja mais rápido e positivo. Seria uma garantia a mais de segurança.
Trabalho semelhante acontece com relação à Criança e o Adolescente, que também possui uma rede de apoio em moldes semelhantes aos das mulheres.
Contudo, a experiência nos tem mostrado que o resultado é aquém do esperado. Há algumas semanas uma jovem alvoradense de 14 anos foi encontrada morta, assassinada. Ela era abrigada de uma Casa de Passagem da cidade e já fazia parte da Rede de Proteção desde os sete anos. Mais recentemente um menino de 11 anos, ainda uma criança na definição da Lei, também foi assassinado, sendo que a mãe admitiu que ele sofreu ameaça de morte por duas vezes.
Todas essas crianças deveriam estar protegidas pela Rede, mas o resultado não foi o esperado. Pelo contrário, o resultado foi diferente de tudo o que se podia esperar para esses dois jovens alvoradenses. Não por culpa desse ou daquele aparato. Nesses momentos não há um culpado, mas todo um sistema que não funciona como devia e tem nas crianças e nos adolescentes suas maiores vítimas. Crianças e adolescentes pobres, pensamos nós. Será?
Contudo, apesar do péssimo resultado verificado em nossa pobre e imensa cidade, o pior ainda estava por vir. Não aqui, mas no interior do Estado. Uma tragédia atingiu a pequena e bem sucedida Três Passos.
Lá um menino, também de 11 anos e que havia procurado o Ministério Público em busca de ajuda, foi assassinado. Mas não por conta de sua situação social de risco, ou envolvimento com o crime. Era um menino de boa família, pai e madrasta médicos, meia-irmã pequena, frequentava uma boa escola e passava o restante do dia estudando, brincando na casa de amiguinhos. Um menino aparentemente normal, mas que sofria com a indiferença do pai, a quem chamava de herói, e a falta da mãe, que faleceu há cerca de dois anos.
Pois esse menino desapareceu por 10 dias e finalmente foi encontrado morto, dentro de um saco plástico, como fazem com um animal que é descartado.
Então nos perguntamos onde realmente está a falha, já que atinge crianças e adolescentes de todas as cidades e camadas sociais. E nos diversos rincões deste mundo afora?
Quem sabe, não é um problema da Rede, mas sim de uma sociedade que, cada vez mais, se desestrutura e, muito além de desrespeitar o núcleo familiar, está violando o início de tudo, nossa infância.

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