Quinta-Feira, 22 de Junho de 2017 |

Editorial

História em ruínas

Por Redação em 24 de Março de 2017


Um povo que não valoriza o seu passado, tem sérias dificuldades em construir o seu futuro! Quem não sabe de onde vem, com certeza tem dificuldade de saber para onde vai! Quem não valoriza seus antecessores, terá sérias dificuldades em valorizar seus sucessores. A maior riqueza cultural de um povo é a sua História.

Com alguns esforços, somos capazes de plantar árvores, fazer hortas comunitárias, revigorar praças, resgatar alguns pontos urbanos que estavam perdidos por alguns anos. Com um pouco mais de esforço, podemos arrumar a frente de nossas casas, a nossa rua, o nosso bairro, a nossa cidade.

Parte da sociedade faz a sua parte, porém a sua grande maioria espera do poder público constituído que faça a sua e outras tarefas. E desta forma, com a ausência do mesmo, a nossa imagem é a cara daquilo que somos. A real face e não outra.

Abordamos com muito lamento nesta edição, o que não gostaríamos de escrever. Por gerações e gerações, o Casarão dos Malta foi abrigo de muitos forasteiros e local de encontro de gerações. E a vinda do progresso, está sufocando dia após dia esta bela história, que foi abordada em várias edições deste semanário e no livro Raízes de Nossa Terra, tendo como autora uma das descendentes da Família Malta, Áurea Célia Santos Malta.

Ainda em vida, Áurea lutava para que a sua história e a do município que se fundiam não ficasse no esquecimento. No seu livro relata as suas lutas e de amigos, vizinhos, conhecidos, e demais do seu cotidiano para passar ás futuras gerações suas histórias. Hoje, aquele belo casarão está sucumbindo ao progresso, sendo lhe tirado mais uma grande parte da sua estrutura e lentamente o seu entorno sendo delapidado. Teima em ficar de pé ainda por vários anos a velha figueira, que presenciou inúmeros comícios, festejos de vitória, grandes carreteadas e festejos.

A nossa Constituição Federal, em seu Artigo 216, parágrafo 4º, assegura que quando um patrimônio é tombado para preservação de sua história e valor para a sociedade, nada poderá ser mudado naquele imóvel. Porém não temos ciência de que tenha nos registros da cidade algum imóvel tombado para ficar para a posteridade.

Com este fatídico relato, surge a necessidade de os nossos governos capacitarem profissionais para o resgate de nossa história. Um bem que vier a ser tombado é lembrado como algo de suma importância cultural e social. E não o que ocorre atualmente, ou seja, tombar, derrubar, colocar no chão. Bem ao contrário, preservar a nossa história, valorizar o nosso passado, manter vivo em nosso meio a rica história dos que nos antecederam. Se assim não valorizarmos os que nos antecederam, não poderemos, ou teremos sérias dificuldades em valorizar os que nos sucederem.

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