Sexta-Feira, 26 de Maio de 2017 |

Editorial

Infelizmente as cheias de sempre

Por Redação em 14 de Julho de 2015


Como ocorre em todos os anos, moradores que residem perto da várzea do rio Gravataí ficam receosos sobre o futuro de suas vidas quando começam as chuvas. E neste começo de semana não foi diferente com a grande quantidade de água vindas dos céus.
O receio vindo dos moradores ocorre porque eles não sabem quando a água vai invadir suas casas. E pior, sabem que isso vai acontecer no inicio da manhã quando estão se preparando para sair de casa para o trabalho ou então quando estarão em casa descansando.
E infelizmente foi isso que aconteceu no começo da noite desta terça-feira, 14/07, quando após o rio Gravataí transbordar e começar a avançar por sua várzea, finalmente chegou às casas de algumas ruas da vila Americana e Nova Americana.
E com a água se vão os sonhos e realizações de cerca de um ano. Sim, um ano porque em 2014 eles já passaram por isso, no ano 2000 também, em 1995 da mesma forma, em 1989 quando iniciamos nosso trabalho em Alvorada, as águas avançaram cidade adentro. E estes relatos vão muito além.
E mais uma vez, infelizmente, isso vai acontecer ano que vem e nos próximos que estão por vir. Porque? Porque nada ou pouca coisa foi feito para diminuir o prejuízo destas pessoas. Anos e mais anos já se passaram e as pessoas continuam tendo que sair de suas casas e procurar abrigo em casas de familiares ou serem levadas para o Ginásio Municipal Tancredo Neves.
O projeto do Dique que pretende acabar com as cheias está em andamento e por causa da burocracia e outros entraves só vai sair do papel daqui uns bons anos. Contudo, o problema não vai acabar com a construção do Dique. Como acontece em outras cidades, o dique será insuficiente, haverá falta de energia e as bombas não funcionarão ou faltarão manutenção nas mesmas. E o ciclo da história se repetirá.
Ao redor de Alvorada existem vários locais que possuem um dique de contenção de água e muitas vezes eles não dão conta do grande volume. Tudo porque é da natureza ter algum lugar para escoar a água que transborda de algum riacho, no caso o Arroio Feijó e o Rio Gravataí.
É da natureza felizmente isso não tem como mudar. O que pode ser feito é ao invés de construir esse dique, que vai custar milhões aos cofres públicos, é de alguma forma desapropriar essas terras e indenizar esses moradores. E sairá muito mais em conta do que teimar na contramão da natureza. Assim, as famílias não terão mais prejuízos e os moradores não vão precisar desocupar suas casas e deixa-las a mercê de marginais, que aproveitam desta falta para roubar o que ficou para trás.
Neste ano do cinquentenário, os poderes constituídos poderão entrar para a história revertendo o que vem sendo proposto a longos anos. Ser um dos primeiros municípios da nação brasileira a dizer um não a construção de um dique e dizer sim a desapropriação e afastar de vez o fantasma que assola ano após ano a nossa população. E o custo pelos anos vindouros certamente serão maiores do que investir mais e mais contra o espaço que naturalmente pelos longos anos o rio o conquistou.

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