Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2020 |

Editorial

O papel dos diretores em um governo

Por Redação em 29 de Março de 2019


Nos últimos dias, muitos professores e pais de alunos foram surpreendidos com a notícia de que não haveria mais eleição para os diretores escolares em Alvorada. A decisão veio após o Tribunal de Justiça conceder uma liminar que derruba todas as leis municipais que tratavam do tema. Cabe ressaltar que a primeira proposta apresentada foi do vereador Edson Borba (PTB), em 1997.

Antes disso – quando o prefeito também era José Arno Appolo do Amaral (MDB) – as escolhas dos diretores eram feitas por indicação do chefe do Executivo. Já nos governos subsequentes (Stela Farias/PT, Carlos Brum/PTB e Sérgio Bertoldi/PT) a decisão de quem iria ser o gestor máximo dentro das escolas coube à comunidade escolar e professores.

A partir de agora, tudo volta a ser como antes de 1997 – segundo o Tribunal de Justiça, a lei desenvolvida na época é inconstitucional – e os diretores podem ser indicados pelo governo. No caso, nem o mandato vigente vale mais e, caso seja de interesse da atual administração, mudanças nas diretorias das escolas já podem acontecer desde a última semana, quando o Tribunal acatou a liminar.

O debate é grande em torno do projeto. Por um lado tem as pessoas que concordam. O motivo: a linearidade do projeto de governo. A diretoria da escola é uma extensão da Secretaria de Educação (SMED), onde o cargo de titular da pasta também é indicado – e não uma eleito pela comunidade. Então porque o prefeito ou a secretária também não podem indicar alguém de sua confiança para as escolas?

Do outro lado há quem discorde. O argumento: isso acabaria com a democracia no ambiente escolar e com a independência do diretor perante a comunidade da escola e também ao poder público. Afinal, como um gestor terá pulso firme para cobrar e reivindicar sem ter a garantia e a estabilidade de que não sofrerá represálias pela atual administração.

A discussão é longa e extensa. Todos os lados têm um pouco de razão. O ponto é que o foco não pode ser subvertido. Independente de quem for o responsável pela escola, o foco tem de ser uma educação digna para todos. Eles são o futuro do nosso município e o espelho do que veem hoje. Só se espera que a decisão seja tomada pensando nesses jovens e não em discussões políticas em momentos inoportunos.

Já vivenciamos nos últimos anos as duas faces, ou modo de gerir escolas. E a qualidade do ensino municipal se qualificou, está entre os melhores padrões nacionais? E o bem estar dos docentes e dicentes é a prioridade? As quadras de esporte, bibliotecas, salas de aula, cozinha, banheiros, estão nos parâmetros aceitáveis? O salário dos professores está à altura do trabalho que exercem? Nos gabinetes a realidade é uma, porém in loco a diferença é enorme.

COMENTÁRIOS ()