Segunda-Feira, 29 de Maio de 2017 |

Editorial

Os estragos emocionais deixados pela enchente

Por Redação em 30 de Julho de 2015


Cobrir uma enchente não é nada fácil. Contar a vida das pessoas que mais um ano perderam tudo, não é uma tarefa agradável. Mas é o nosso trabalho, relatar o que acontece na cidade.
Durante estes dias de enxurrada ouvimos a mesma frase repetidas várias vezes: “Por que estas pessoas não se mudam?”. No entanto, a situação não é tão fácil como parece.
Quem gostaria de adquirir uma casa em uma zona de risco? E quem conseguir vender, vai ter dinheiro suficiente para comprar outra igual em outro bairro? Os relatos são de que a avaliação das imobiliárias no bairro Americana não passam de 50 mil reais.
Gostar de morar em uma área ribeirinha é diferente de precisar morar. Muitas pessoas não têm condições de sair e precisam se acostumar ao ambiente em que estão inseridas, seja ele qual for.
Os moradores mais próximos ao Arroio Feijó chegam a perder tudo que possuem dentro de casa todos os anos. Móveis, eletrodomésticos e roupas que adquiriram com muito suor. Porém, bens materiais podem ser comprados de novo, mas e a coragem de recomeçar mais uma vez? E a energia de encarar a situação?
Limpar a casa e o pátio, trocar portas e janelas, refazer a pintura, trocar o roupeiro, máquina de lavar e fogão. Plantar flores novas no jardim e arrumar a casinha do cachorro. Imagina você ter que fazer isso, e muito mais, todos os anos. O dinheiro que é gasto com todos esses reparos anuais não chega aos pés de toda a energia e a vontade de viver que se perde.
Gostar do ambiente em que se vive é fundamental para conseguir levar uma vida harmoniosa. Estar em sintonia com o ambiente, com o bairro e com a cidade faz a diferença na vida do ser humano.
Por isso, quem fala que os moradores da vila Americana são acomodados com a situação em que vivem, não sabem o que é morar em uma zona de risco. Não sabem ó que é sofrer todos os anos pelo mesmo motivo. Se fosse fácil trocar de bairro como é fácil falar, não existiria nenhuma casa na zona ribeirinha do Arroio Feijó.
E mesmo sem sofrer com os estragos da enchente, é possível notar o cansaço estampado no rosto das pessoas. Cansaço de ver as coisas se esvaindo e ter que reerguer tudo novamente. Felizmente a Capital da Solidariedade faz a diferença em tantas outras necessidades.

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