Domingo, 09 de Agosto de 2020 |

Editorial

Os frutos colhidos com a cultura

Por Redação em 19 de Outubro de 2018


Há anos se debate a extinção do Ministério da Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado e de secretarias municipais que desenvolvam projetos culturais. Sempre que se pensa em cortar recursos são os eventos culturais que acabam sendo cancelados ou tendo cortes bruscos em suas receitas. Isso para não falarmos de leis de incentivo a cultura e todas as críticas que elas recebem a cada ano que se passa.

Mas porque isso? Porque se esquecer da cultura ou deixar ela de lado? Ainda mais em um momento tão conturbado como o que vivemos nos dias de hoje. Nesses grandes eventos culturais – citamos o carnaval e o acampamento farroupilha por serem os maiores de Alvorada atualmente – milhares de pessoas saem de suas casas, sem medo da insegurança e sem vontade de criticar ninguém. Vão apenas para aprender coisas novas e se divertir. Desligar o cérebro para os problemas e usar aquele momento, que pode ser considerado simples, como uma válvula de escape.

Além disso, eventos culturais andam lado a lado com a educação, afinal cada escola de samba conta uma história, cada CTG mantém uma tradição, cada show musical retrata uma realidade. Isso sem falar da quantidade de famílias que dependem da arte para sobreviver em períodos tão escassos de investimentos na música, teatro, literatura e cinema – isso só para falar áreas onde figuras alvoradenses estão presentes.

Com esse cenário em vista, é louvável que a Secretaria de Educação retome a Feira do Livro de Alvorada. Foram dois anos sem a realização de um dos eventos mais tradicionais da região metropolitana, em uma das cidades mais carentes do Rio Grande do Sul. Os problemas eram tantos que, na gestão passada, foi instituído o vale-livro de R$ 20 para cada criança matriculada na rede municipal.

O programa sofreu alterações e agora a escola ganhará um kit. A crise apertou até na educação e, infelizmente, nem todas as crianças terão como comprar um livro. A opção é recorrer às bibliotecas escolares ou ir até a biblioteca municipal. Só não é possível garantir acesso ao acervo completo, afinal milhares de livros estão encaixotados e mais um valioso acervo está escondido em uma sala do CEMAEE.

Que os atuais governantes – não devem esperar pelos próximos – compreendam a importância da cultura na formação das crianças, jovens e adultos e que saibam que esses investimentos não são supérfluos, mas sim tão essenciais como também em outras áreas. Um povo que não valoriza a sua cultura, a sua história, não está valorizando o seu futuro.

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