Quarta-Feira, 05 de Agosto de 2020 |

Editorial

Pensar alto dos nossos baixios ...

Por Redação em 07 de Junho de 2019


Bastou chegar o inverno e os guarda-roupas já tiveram que ser abertos. Após meses de temperaturas amenas, o rigoroso inverno está batendo as portas e com ele as baixas temperaturas, geada, a tão proclamada neve nos locais mais altos e dias e dias agasalhados para amenizar o período. Comidas mais quentes, típicas da estação também fazem parte. E de igual forma, o acalento da melhor cama e dos cobertores para se passar melhor as noites que tem no seu ápice a noite mais cumprida do ano.

Conforme as previsões, o guri, ou melhor dizendo o “El Niño” vai mostrar sua presença com incessantes chuvas neste inverno. Ele é resultante do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e devido a sua evaporação traz grande quantidade de chuvas por onde passa. Os países do extremo sul da América sabem do rastro de destruição que ele deixa. Dias e dias de longas chuvas, rios fora da sua calha e cidades com seus baixios alagados, trazendo inquietação a seus moradores.

Nós alvoradenses, em parte, teimamos em fazer parte deste espaço, ou seja, viver em terras onde no passado era plantação de arroz e local que sabidamente é de alagamentos. Nas gavetas de diversos departamentos públicos existem inúmeros projetos de construção de dique, de casas de bombas, de vias elevadas, etc e etc.

A história é profícua e nos traz os ensinamentos. A região norte da capital, mais baixa que a nossa, sofre de toda a sorte quando da falta do escoamento da água. E é notório a falta de manutenção e queima das bombas, a falta de energia elétrica, entupimento dos canais, excesso de sujeira entre tantos outros.

A nós cabe ver como outros locais se deparam com o chegar das chuvas, pois temos o conhecimento dos seus sofrimentos. Bastou alguns dias de chuvas e os moradores das partes baixas começaram a ter a água dentro de suas casas. E o poder público não se fez de rogado levando os seus serviços a quem precisava.

Esta breve lição destes dias nos leva a pensar se vale o investimento de construção de um dique ou a retirada de toda a população. Os recursos para a construção do dique existem e são promessas de longos anos e revividos quando da época das chuvas.

A indenização e retirada destas comunidades também deve ser levada em conta. Os estudos ainda não prosperaram e se vier a se concretizar será de exemplo para outras comunidades. Este local, pode ser arborizado, servir de parque, área de lazer com quadras de esportes, pistas atléticas, entre tantos outros exemplos.

É de se pensar e agir, e uma vez transformado em local público e aberto não serão mais dispensados altas cifras com retornos dúbios e população abaixo das águas. O ciclo deve ser quebrado pois a natureza cobra caro a retomada do seu espaço.

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