Sexta-Feira, 07 de Agosto de 2020 |

Editorial

Precisa tanta homenagem?

Por Redação em 01 de Novembro de 2019


Atualmente, Alvorada conta com apenas uma sessão ordinária na Câmara de Vereadores por semana. Esse é o espaço reservado para os parlamentares debaterem publicamente os projetos apresentados – seja pelo Executivo como pelo Legislativo – e analisar o que é bom ou não para o município. Isso significa que, todas as terças-feiras, os nossos políticos podem mudar um pouco a realidade do município.

Talvez isso seja pouco, ainda mais quando comparamos aos nossos vizinhos: Viamão e Gravataí contam com duas sessões semanais, Porto Alegre tem três encontros semanais. Cachoeirinha é o único município que tem uma sessão por semana. Contudo, a cidade vizinha conta com 13 vereadores (quatro a menos que Alvorada) e pouco mais da metade do número de habitantes que o nosso município.

O próprio vereador Leandro Tur (PT) – afastado temporariamente – reconhece que uma sessão na semana é pouca para a demanda de um município que sofre economicamente e socialmente ao longo dos anos. Tanto é que, em 2017, ele protocolou uma proposta para alterar a quantidade de sessões e contudo, este projeto está tramitando de gaveta em gaveta e nunca é pautado para votação.

Isso significa que tanto o poder constituído quanto a redação do Jornal A Semana acreditam ser pouco apenas uma sessão por semana. Por óbvio, a ideia seria ter muitos projetos sendo analisadas, discutidas e votadas todas as terças-feiras, mas infelizmente não é isso que acontece. Em outubro deste ano, apenas 14 projetos foram para votação (dados obtidos no site do Legislativo).

Mas porque o título das homenagens? Porque em quase todas as sessões houve entregas a pessoas que tem relação com a cidade. Se formos um pouco mais para trás, podemos ver que essa prática se repete, pelo menos em 2019, em duas das quatro sessões mensais. Nesses casos, não existem debates e aprofundamento de projetos para que se possam entregar placas de honra ao mérito ou cidadão honorário.

Muitas vezes são pessoas que não residem no município ou que tem uma trajetória curta e ainda iniciando na cidade. Não tem como saber se essa é uma prática que visa valorizar nomes que apoiaram os parlamentares no pleito de 2016 ou ainda conquistar novos cabos eleitorais para 2020, mas é nítido o aumento de homenagens comparado aos outros anos da atual legislatura.

Em uma cidade tão precária, não se pode abrir mão de apresentar e discutir projetos para prestar homenagens. O ponto é que isso não deveria ser a prioridade do Legislativo. É necessário se fiscalizar e projetar o município ao invés de entregar flores e placas. Que se crie uma segunda sessão ordinária semanal e concentre as homenagens neste dia. Assim podem-se fazer as tão importantes homenagens.

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