Sexta-Feira, 04 de Dezembro de 2020 |

Editorial

Professor não é babá

Por Redação em 29 de Maio de 2020


O retorno do ano letivo da forma mais tradicional – as aulas estão sendo realizadas a distância – ainda não devem retornar. A informação já foi confirmada pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e pela administração municipal. Além disso, o IFRS também anunciou que não deve retornar as atividades presenciais agora, mas esse último caso não tem tanta relação com o tema do editorial desta semana.

Isso porque o foco desta semana está nas crianças e adolescentes. Acertadamente o governador optou por não autorizar o retorno das atividades presenciais e explicamos aqui o motivo dele ter tomado a decisão correta: os jovens e as crianças não têm as responsabilidades e o discernimento de se cuidar em um ambiente escolar sobre o distanciamento controlado e outros aspectos necessários durante a pandemia.

Apesar de eles não serem os grupos de risco, eles podem transmitir a doença para quem é. Como muitos sabem, existem diversas crianças que convivem diariamente – por morar juntos ou serem cuidados – com seus avós ou pessoas de mais idade. Então retornar as aulas coloca em risco, de forma indireta, um dos grupos que mais sofre com a doença: os idosos.

Isso sem falar dos professores – muitos também com problemas de saúde ou acima dos 60 anos – que acabam ficando expostos ou ainda podem transmitir a doença. Retornar as aulas nesse momento pode ser um dos passos mais perigosos contra uma pandemia que parece caminhar para o controle. Seria dar um tiro no pé retomar as atividades escolares e reunir mais de 500 crianças em cada uma das escolas.

Contudo, a decisão não teve aceitação unânime – apesar de ser aceita por boa parte da população. Os que defendem a retomada das aulas alegam que precisam do retorno das escolas para poderem ir trabalhar. Sem as aulas, muitos não podem ir trabalhar por não ter com quem deixar as crianças. Então o retorno das aulas viabiliza o retorno das atividades profissionais de muitos pais.

Só que tem uma coisa que muitos dos pais não compreendem: professor não é babá! Não é de responsabilidade do servidor púbico que leciona ter que cuidar e ensinar coisas que devem ser repassadas pelos pais. A profissão de babá existe e o professor não pode ser visto como um cuidador de crianças. O papel dele é outro e cobrar o retorno deles para “ter onde deixar as crianças” é de uma irresponsabilidade dos pais.

Isso tem que mudar. Os pais precisam compreender os seus papéis e suas responsabilidades quando colocaram as crianças no mundo e não repassar essa “bronca” para os professores. Cada um tem sua função na sociedade e uma coisa não tem ligação com a outra. Isso sem falar dos riscos que as crianças correm com o retorno das aulas. Sem egoísmos e injustiças. O momento é de união pela saúde e não de aulas.

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