Quinta-Feira, 23 de Maro de 2023 |

Editorial

Quanto tempo mais?

Por Redação em 17 de Março de 2023


A promessa do dique vem de longos anos e todos sabemos disso. Desde o primeiro ano do Jornal A Semana (1989) já se noticia a importância que esta obra teria para os bairros próximos aos arroios afluentes do Rio Gravataí. Uma obra cara? Obviamente que sim, mas necessária para tempos tenebrosos da história do nosso município – afinal quem não se lembra das cheias de 2015?

São longos anos de espera e esperança da população de Alvorada. Já foram feitos anúncios de recursos – mais de R$ 200 milhões do Governo Federal – e promessas de que as obras poderiam ser vistas no horizonte. Contudo, até agora não se tem nada de concreto. São apenas estudos e análises de projetos que podem ser feitos, mas nada definitivo para quem tem medo ano após ano.

Mais uma audiência pública foi realizada na última semana. A ideia era apresentar os estudos de impacto ambiental que esta obra vai ter para a região. Um ato protocolar e que pouco agregou para quem espera pelas obras de fato. E o pior: diminuiu – e muito – a esperança do povo que sonha em ver essa construção saindo do papel e terminando com os seus problemas.

Os R$ 200 milhões de outrora já não são mais o suficiente. A expectativa é de que seja gasto entre R$ 1.3 bilhões e R$ 2 bilhões na construção do dique e reassentamento de 1.500 famílias. Já não bastasse os valores exorbitantes, também foi informado que não se sabe de onde virá este recurso. Isso mesmo. Não há garantias da vinda desta verba para a construção do aguardado dique.

Com isso, um povo que sofre há longos anos por problemas da natureza vê sua esperança diminuir com as notícias apresentadas na audiência. Saber que não existe recurso e nem se sabe quem de fato vai promover a obra e manter o sistema em funcionamento desanima uma população calejada com as cheias e com ter perdido tudo mais de uma vez.

Uma vez, o deputado federal Pedro Westphalen (PP) disse que não se cria esperanças na população sem as garantias de que poderá cumpri-las, pois a frustração se torna ainda maior. Infelizmente, parece que é isso que está sendo feito com o povo alvoradense. Anos de esperança de que seria possível ver essa obra e hoje muitos devem pensar que talvez não estejam mais aqui quando ela acontecer – isso se acontecer.

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