Sábado, 27 de Maio de 2017 |

Editorial

Trabalho infantil: a ponta do iceberg

Por Redação em 17 de Junho de 2016


Quem já ouviu ou utilizou a expressão “É só a ponta do iceberg” sabe que ela representa que somente alguns problemas se veem outros estão no fundo do mar onde não aparecem, mas infelizmente existem em sua grande maioria.

E isso acontece quando o tema “Trabalho Infantil” é trabalhado num veículo de comunicação e quando se entrevista servidores que trabalham num local que busca a erradicação do trabalho infantil no município, se constata por eles mesmo que o tema até o momento está longe de acabar.
E por quê? Porque em todas as esferas de governo seja federal, estadual ou municipal, nenhuma ou poucas ações são realizadas para minimizar ou até mesmo acabar com isso. Segundo os funcionários o Trabalho Infantil está intrínseco na cultura de nosso povo e crianças com idade de cinco anos que deveriam estar em creches comunitárias ou em outro local estão nas vias da cidade vendendo algo para auxílio no sustento de sua família.

Por meio de levantamentos para que a erradicação do trabalho infantil fosse atingida, o município deveria investir em habitação, saúde e geração de renda para as famílias. Programas socioeducativos que funcionavam no turno inverso escolar como o Mais Educação e Vira Vida, e que foram suspensos por falta de repasse de verbas do governo.

Além disso, cursos, estágios e programas de jovens aprendiz são destinados geralmente a uma faixa etária e requisitam um nível de escolaridade que essas crianças não possuem. As oficinas disponibilizadas pelo Centro de Referencia ao Atendimento Social/CRAS muitas vezes não comporta todas as idades, além de não haver nenhuma Escola de Educação Infantil/EMEI em Alvorada. Triste constatação.

Não existindo nenhum aporte para que a criança não tenha que trabalhar temos que lembrar também do tráfico de drogas, presente em muitos locais e que infelizmente não há remédio para que isso acabe ou diminua.

A conta é simples. Um dos programas sociais existentes no país é o Bolsa Família que digamos paga R$ 70,00 mensais. Do outro lado está um traficante que paga R$ 100,00 diários para que a criança fique cuidando quando a polícia chegar e no mesmo instante avise seu chefe e comparsas para fugir. O que a criança que passa fome junto de seus pais vai escolher? O que é mais rentável? É só a ponta do iceberg.

COMENTÁRIOS ()