Quinta-Feira, 23 de Maro de 2023 |

Editorial

Uma ponta de iceberg

Por Redação em 10 de Fevereiro de 2023


Este período de secas que o nosso estado está passando, não é o primeiro e também não será o último. Assim como nos períodos de chuvas, os transtornos também são vistos nos tempos de secas. E tudo tem algo em comum: os lixos, entulhos que não foram recolhidos a contento são levados pelas águas das chuvas e são descarregados nos rios que o desaguam nos mares. São ciclos que se renovam ano após ano.

Nos períodos chuvosos com grandes áreas alagadas se torna nítido o que não foi realizado quando as águas corriam normalmente nos leitos dos rios ou riachos. Entre eles está o não-loteamento em áreas baixas, a drenagem dos arroios, a limpeza das bocas de lobos, canalizações que suportam o adequado escoar das águas, o espaço livre entre os arroios e os terrenos/residências ocupados, entre tantos outros. Fazendo um pouco desta lição de casa, seria possível amenizar os problemas quando a chuva é abundante ou extrema.

De igual forma, em tempo de estiagem é muito mais fácil realizar o desassoreamento de rios, arroios, lagos. E também do nosso único rio que nos dá diariamente e por longos anos o seu mais precioso líquido. E ao longo dos últimos dias a tônica voltou: o nosso rio Gravataí está literalmente tomado por todo o tipo de lixo: plásticos, pneus, vidros, assoreado, esgoto, um rio sem vida.

E retorna-se ao assunto como se fosse pela primeira vez acontecendo. E que o local está devidamente identificado, esquecendo-se que desde a sua foz até mais de 20 quilômetros rio Gravataí acima, o rio recebe incontáveis despejos de lixos orgânicos e inorgânicos e de uma gama infinita de outros poluentes. O que está sendo mostrado é somente uma pequena ponta de um iceberg, pois na extensão das primeiras dezenas de quilômetros se enxerga a olhos vistos o abandono. E isto já foi visto nas secas de décadas passadas, porém pouco – ou quase nada – foi feito de limpeza na sua calha quando o acesso é mais fácil. Urge a união de todos os entes federados e não somente atos pontuais e isolados, para juntos abraçar esta causa. Ela não está perdida, podemos reverter.

Que a chegada das próximas chuvas, enchentes, secas, nos faça refletir o quão fomos negligentes ontem, hoje como o nosso Rio Gravataí, pois em breve ele tornará a ocupar novamente o seu espaço. E irá nos cobrar muito caro pelo nosso descuido nos dias de hoje.

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