Sbado, 04 de Dezembro de 2021 |

Colunista



Lixão da moda no deserto

O deserto do Atacama é o maior da América do Sul, ocupando uma grande extensão do Chile, encontra-se próximo ao Oceano Pacífico e possui altitudes elevadas, tendo como característica principal sua aridez, com locais sem chuva há mais de 400 anos.

Assim o Atacama não possui muita população, pois as pessoas que moram na região vivem em cidades isoladas, havendo uma imensidão de áreas desabitadas, sem vegetação ou animais, além de grandes salinas.

Próximo ao deserto está o porto de Iquique e sua Zona Franca, aonde chegam toneladas de roupas importadas de todos os lugares do mundo, havendo uma rede de venda de roupas no Chile, que movimenta mais de 59 mil toneladas de vestuário por ano.

Após selecionar as que serão comercializadas no Chile ou vendidas para Bolívia, Peru e Paraguai, muitas vezes virando contrabando, sobram aproximadamente 40 toneladas de roupas, ultrapassadas no mundo da moda, assim são levadas para áreas isoladas, criando uma paisagem nova e colorida no deserto.

O problema é que estes materiais demorarão mais de 200 anos para se desintegrarem, além de contaminar o terreno e os lençóis freáticos existentes, devido aos materiais tóxicos que são utilizados para a produção das roupas.

São roupas novas, as quais criam lixões da moda no deserto, onde muitos habitantes vão procurar roupas para uso ou mesmo comércio local, pois após entrarem no país, não saem mais, pois já passaram na Alfândega.

Enquanto em muitos lugares do mundo pessoas não têm o que vestir, a indústria da moda, com sua futilidade, cria novas coleções a cada temporada, descartando no deserto aquilo que os mercados latinos não conseguem consumir.

Por aqui a cada ano temos a Campanha do Agasalho, recolhendo peças usadas para dar aos necessitados, mas no deserto do Chile há quase 40 toneladas de roupas estragando sob o sol e poluindo o meio ambiente.

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