Sexta-Feira, 18 de Junho de 2021 |

Colunista


Direito e Cidadania


Andrea Maisner



O trabalho home office e o esgotamento mental

A pandemia de COVID19 que o mundo enfrenta desde o final de 2019 início de 2020 modificou drasticamente o modo de funcionamento e relacionamento entre as pessoas, inclusive das relações de trabalho.

Para proteção da saúde optou-se, àqueles profissionais ditos não essenciais, que exercessem suas atividades de forma remota e isolada, se possível. O teletrabalho.

Para muitos cidadãos brasileiros essa era uma realidade recente, introduzida a pouco na legislação pátria através da Lei 13.467/2017 que inseriu artigos sobre a sua regulação na CLT, vindo a pandemia de uma forma abrupta acelerar tal forma de trabalho.

Assim, os trabalhadores anteriormente acostumados a sair de suas casas para trabalhar, passaram a exercer suas atividades profissionais do ambiente residencial. Igualmente houve a necessidade de um aparato tecnológico disponível por longas horas diárias.

O trabalhador antes acostumado a desligar-se completamente de celulares e internet, se vê diante de uma tela de computador, exemplificadamente, ou plugado na internet longas horas através de reuniões online, respondendo mensagens e retornando ligações – por vezes até mesmo por mais horas que aquelas regulares numa jornada de trabalho comum – não remota.

Assim, as doenças psíquicas já comuns no século atual, se agravaram.

As doenças psiquiátricas, especialmente no cenário atual da sociedade moderna, são uma realidade que não pode ser ignorada pelos empregadores, uma vez que gera reflexos no ambiente de trabalho, agravadas pelo cenário da Pandemia.

Não incomum foram as fobias relatadas – medos de sair de casa, do contato com outras pessoas, etc, por receio de se expor ao vírus do COVID-19. Em igual ou mesma quantidade, a síndrome de esgotamento, a chamada síndrome de Burnout.

Relatada em 1974 pelo psicólogo americano Herbert J. Freudenberger, a síndrome de Burnout, era relacionada apenas a profissionais com rotinas extenuantes, como enfermeiros, médicos, bombeiros, policiais, etc. No entanto, o conceito é aceito quando se refere aos trabalhadores de qualquer área, especialmente durante a pandemia. Caracterizada pelo esgotamento físico e mental, pode se manifestar de várias formas, dentre elas dificuldade de concentração, alterações de humor, irritabilidade e isolamento, pensamentos negativos recorrentes e baixa autoestima.

Fatores como a correria do dia-a-dia, múltiplas ocupações da força trabalhadora, das família - com a casa, filhos, esposa/marido, lazer, além do próprio trabalho em si, a velocidade da informação através dos mais diversos meios - como TV, internet, mensagens de texto, rádio e a comunicação em geral, aliados a imensa sensação de falta de tempo para dar atenção a todos essas exigências da sociedade e da vida moderna, são fatores que propiciam o aparecimento das doenças psíquicas, especialmente a síndrome de Bornout.

A psiquiatria é um ramo da medicina em que os médicos cuidam de doentes mentais, tendo uma relação direta com o comportamento humano. No entanto, se trata de uma área com preconceito dentro de si mesma, pois ainda é considerado um atendimento secundário, não vital e que busca uma explicação onde as outras áreas médicas não encontraram solução. Não é incomum, portanto, que os cidadãos tenham vergonha de buscar ajuda e atendimento especializado.

Quando o trabalhador está em home office, a distância física torna mais difícil para as empresas reconhecerem sinais de esgotamento em seus funcionários, consequentemente há um adoecimento não relatado.

Assim, se faz de extrema necessidade adotar certas atitudes no trabalho remoto a fim de prevenir o esgotamento mental, quais sejam: definir um local de trabalho, estabelecer uma jornada de trabalho com horário de início e fim e praticar o autocuidado, ou seja, estabelecer limites do que pode e do que não pode ser feito em sua casa, afinal, trabalhar em casa não é igual a trabalhar na empresa.

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