Quinta-Feira, 23 de Setembro de 2021 |

Boatos sobre o encerramento das operações da VAL se espalham e preocupam a população

Contudo, tanto a empresa quando a administração, negam a informação

Por Redação em 16 de Julho de 2021

"Contrato com a VAL e a cidade se estende até 2023" (Foto: Matheus Pfluck)


Na última semana surgiram boatos e informações sobre o fechamento da Viação Alvorada (VAL), empresa que oferece o transporte coletivo em Alvorada. Tanto Prefeitura como a própria empresa negaram a informação e, até o fechamento desta edição, na tarde da quinta-feira, 15/07, o serviço estava disponível à comunidade.

O tema trouxe discussões na sessão da Câmara de Vereadores, quando alguns legisladores pediram, inclusive, a saída da VAL do município que atende a milhares de alvoradenses. Contudo, por mais que o Legislativo projete essa saída, muitos moradores estão preocupados sobre o futuro do serviço de transporte coletivo.

População

Um destes casos é de Daisi Becker que, desde criança, utiliza o serviço da VAL. Ela conta que atualmente, se desloca da sua residência no Bairro Piratini para trabalhar ou passear por Alvorada e ficou sabendo da notícia do fechamento da empresa pelo WhatsApp. “A Câmara de Vereadores e o prefeito não podem deixar isso acontecer. Transporte público é direito básico considerando que a pandemia tenha afetado geral. Mesmo assim, ainda precisamos dos ônibus. Existem bairros muito afastados do centro da cidade. E as pessoas que moram nesses locais, fazem como para se deslocar até o centro?”, indaga a jovem.

Outro alvoradense que depende do serviço de transporte coletivo é o auxiliar administrativo, Rafael da Silva Freitas que, desde 2019, quando houve as trocas de itinerários, se sentiu prejudicado porque para ir ao trabalho teria que pegar dois ônibus da VAL. Além disso, ele conta que com esta diminuição, desconfiou que ficaria sem ônibus municipal, porque a Prefeitura, segundo ele, não demonstrou interesse em beneficiar os usuários. “Agora que não tem da VAL, terei que pegar sempre o TM2 que a passagem é mais cara, e subiu recentemente, além disso como não tem mais cobrador, o motorista pega o dinheiro, o que faz muitas vezes eu me atrasar no trabalho”, lamenta.

Já, perguntado sobre o que faria caso não tivesse mais o serviço da VAL, Freitas informou que sua única opção será o TM2 após ter comprado uma bicicleta e desistido de utilizá-la após várias vezes o pneu ter furado. “Meu celular é muito comum e não tem espaço para ter o aplicativo de Uber e etc, então fico dependendo de favor de amigos ou familiares para pedirem Uber etc. para mim, e nem sempre tenho crédito no celular. Além disso o preço do transporte via aplicativo varia muito, e em média sai mais barato ônibus. Outra razão para eu usar geralmente ônibus para me deslocar dentro de Alvorada, é porque por bastante tempo a empresa onde eu trabalho disponibilizar o vale transporte por meio de cartão TEU, que não dá para usar por aplicativo”, conclui.

Manifestação da Prefeitura

O Jornal A Semana conversou com o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), Sergio Coutinho. Ele falou que tem ciência da crise nacional, estadual e municipal que o transporte público está passando e que isso não é uma exclusividade de Alvorada. Segundo o titular da pasta, isso foi impactado com a chegada dos aplicativos, facilidade na compra de veículos e o home office na pandemia.

Contudo, ele afirma não ter ciência do suposto fim da empresa. “O município não foi oficiado que a empresa tem o interesse de encerrar o serviço. No momento que a empresa fizer isto, nós vamos tomar as providencias cabíveis para não deixar o usuário sem o transporte público que é um serviço essencial e tomar as medidas legais em relação a empresa pelo descumprimento do contrato”, afirma Coutinho.

O titular da pasta afirma que o contrato deixa explicito que a empresa precisa comunicar com 180 dias de antecedência a decisão de rescindir o contrato com a Prefeitura. Sobre o número de passageiros, Coutinho relata que a média é de mil pessoas diariamente – antes da pandemia e da crise, o número era de três a cinco mil pessoas utilizando o serviço.

Por mais que o município não tenha sido informado de nenhuma saída, já existem alternativas que podem ser adotadas. “Nós não podemos nos antecipar há um fato que possa vir a acontecer, temos que tomar as medidas conforme elas forem acontecendo, mas se isso vier a acontecer, o município tem condições de autorizar uma empresa a prestar o serviço de transporte público em caráter emergencial por um período de seis meses para que dê tempo do município abrir um processo licitatório para contratação de uma nova empresa que preste o serviço”, finaliza Coutinho

Nota da VAL

Através de um comunicado oficial, a VAL informou que não existe nenhuma vontade de parar de atender Alvorada e nem que exista alguma definição ou previsão para a saída do município – e que a população será informada caso ocorra alguma mudança. Contudo, a empresa firmou que o transporte urbano de Alvorada só vem subsistindo pelo comprometimento da VAL e seus sócios com a comunidade local.

A empresa explica que já faz bastante tempo o serviço está em total desequilíbrio econômico-financeiro, sendo que a operação vem sendo financiada com os recursos da VAL e de seus sócios, que já se esgotaram. A VAL afirma ter proposto uma ação pedindo providências para a Prefeitura. Depois disso, de comum acordo, a ação foi suspensa e solicitou a mediação do CEJUSC do Tribunal de Justiça do Estado.

Contudo, mesmo depois dessa suspensão, não houve nenhuma mudança. “Em Alvorada, entretanto, o Município não se dispôs a tomar as providências necessárias para garantir a sobrevivência do transporte urbano, do qual é seu titular, como já dito. Com isto, a mediação foi frustrada e encerrada”, afirma a nota encaminhada pela empresa ao Jornal A Semana.

Para a VAL, o transporte urbano, que já sofria concorrência dos aplicativos e grupos informais de transporte, com o advento da pandemia da Covid-19, ficou inviabilizado. A empresa afirma que a operação segue sendo suportada apenas pela VAL. “Em uma lógica inversa e perversa: em vez do poder concedente subsidiar o serviço do qual é titular, a empresa é quem vem subsidiando o serviço”, destaca a nota.

Por último, foi afirmado que o transporte urbano de Alvorada se tornou inviável pelo contexto informado e pela falta de disposição do município de subsidiá-lo, conforme determina a Lei de Mobilidade Urbana e vem ocorrendo em diversos outros municípios do Estado e do Brasil. Por este motivo, a empresa não tem mais capacidade de manter esta situação indefinidamente.

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