Sbado, 23 de Outubro de 2021 |

Mudanças no trânsito da Avenida Presidente Getúlio Vargas visam melhorar o fluxo, mas desagrada os empresários

Lideranças já se reuniram com o presidente da Câmara e com o prefeito para expor sua insatisfação

Por Redação em 01 de Outubro de 2021

"Uma das mudanças que mais surpreendeu foi o retorno de acesso ao supermercado Oliveira" (Foto: Matheus Pfluck)


A Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), com apoio da Secretaria de Serviços Urbanos (SEMSU) realizou mudanças no trânsito da Avenida Presidente Getúlio Vargas. Segundo o comunicado publicado nas redes sociais da Prefeitura, o fechamento de conversões e retornos visam melhorar a fluidez dos veículos, diminuir congestionamentos e evitar acidentes.

Ainda segundo o comunicado, essas mudanças na principal via do município se justificam pelo aumento significativo da frota de veículos da cidade nos últimos dez anos, que teria passado de 57 mil para 89 mil veículos cadastrados. Outro fator destacado pela administração municipal é que a Avenida, ao longo dos anos, tornou-se um corredor entre a ERS-118 e a zona norte de Porto Alegre.

Contudo, a medida não parece ter agradado aos comerciantes e empresários do município. isso porque, na última semana, ocorreram reuniões entre a classe empresarial e política da cidade. Nas redes sociais foi possível ver postagens de encontros na Câmara de Vereadores e na Prefeitura para debater as mudanças promovidas pela administração.

O parecer da classe empresarial

A reportagem do Jornal A Semana conversou com alguns empresários para compreender o impacto dessas mudanças. A ideia é saber o que eles acharam das alterações e o que isso pode afetar na zona comercial do município. Cabe ressaltar que as mudanças já foram concluídas e estão em vigor na Avenida Presidente Getúlio Vargas desde a última semana.

Para Moacir Carlesso, essas mudanças não foram promovidas na maneira correta. “Faltou planejamento e discutir com a comunidade para ver se essa era a única alternativa. A gente não é contra a melhoria no trânsito, mas sim a imposição de fazer isso sem discutir com a comunidade. Por que eles não fizeram a mesma coisa que foi feita na época do estacionamento rotativo?”, questiona o empresário.

Segundo ele, o impacto na sua empresa e em outras do município também será grande. “Eu fui bastante afetado. Agora os meus caminhões precisam rodar mais para chegar no depósito que era em frente. São 150 entregas por dia e teremos uma distância a mais para percorrer. Serão 150 quilômetros a mais por dia gastando combustível e batendo caixa. Amanhã ou depois isso pode refletir nos empregos”, salienta Carlesso.

Outro empresário afetado pelas mudanças foi Luís Oliveira. Isso porque um dos principais acessos para o seu mercado foi fechado. “Faltou planejamento para fazerem isso. Os clientes da minha loja estão passando por dificuldades para acessar o comércio pela estratégia da Prefeitura. Tem que ser algo diferente e mais bem planejado. Agora quase não tem opções para acessar”, afirma o alvoradense.

Além disso, existe o risco dessa mudança afetar na geração de emprego e renda dentro do município – pela diminuição de clientes. “Caiu bastante o movimento aqui no mercado. Essas mudanças podem prejudicar na contratação de funcionários. Se diminuir o movimento não teremos como manter a equipe atual. O impacto dessa intervenção na Avenida é enorme”, finaliza Oliveira.

Já para Miriam Mainard, que é empresária e vice-presidente da ACIAL, a decisão da Prefeitura precisa ser reavaliada. “Essas mudanças geraram mais congestionamento nos retornos que restaram abertos. Mantendo ou talvez até aumentando a probabilidade de acidentes. Acredito que a solução seria ter alternativas de redução de velocidade dos veículos e educação no trânsito”, pondera a proprietária da rede Baita Super.

Para ela, as mudanças seguem atrapalhando o trânsito e serão refletidas nos faturamentos dos comércios do município. “Pois, além disso a Avenida Getúlio Vargas é comercial e prejudicou em 40% o faturamento de alguns comércios. Sem contar que para moradores dificultou a acessibilidade e ocasionou mais custo para deslocamento”, conclui Miriam.

Respostas do Executivo

Em entrevista, o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), Sergio Coutinho, explicou os motivos para essa mudança no trânsito. “O simples fato de dobrarmos a frota em dez anos e a malha viária seguir a mesma nos fez rever a mobilidade urbana da principal via da cidade. Esses retornos causavam congestionamento e acidentes”, ressalta o titular da pasta.

Segundo ele, essa foi uma decisão do governo e a tendência é que as mudanças não sejam alteradas pela importância dessas intervenções. “As pessoas vão se habituando e nós não fizemos nada para prejudicar setores. O prefeito estava ciente dessas obras, pois elas foram uma decisão de governo. Agora cabe ao prefeito de reverter essa decisão ou não, mas ele sabe das dificuldades da mobilidade de Alvorada”, finaliza Coutinho.

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