Sexta-Feira, 18 de Junho de 2021 |

Sem o distanciamento social alvoradenses enfrentam extensas filas na busca de atendimento

Uma das causas apontadas pelos bancos é a falta de pessoal e de esclarecimento da população

Por Redação em 11 de Junho de 2021

"Sem o distanciamento social alvoradenses enfrentam extensas filas na busca de atendimento" (Foto: Matheus Pfluck)


Filas, filas e mais filas. Todo começo de mês, bancos e lotéricas de Alvorada estão registrando grandes filas de pessoas sem o distanciamento de um metro e meio, necessário para evitar a transmissão do novo coronavírus.

O tema, que já fora abordado pelo jornal A Semana já em algumas edições, também foi abordado pelo vereador Cristiano Oliveira (PP). Ao mesmo tempo que indigna traz preocupação à comunidade que tem se expor para realizar pagamentos ou resolver alguma situação na Avenida Presidente Getúlio Vargas.

Um dos que estavam na manhã da terça-feira, 08/06, era o aposentado Vladimir Gonçalves que buscava atendimento no Banco Itaú há pelo menos 40 minutos. Conforme conta, todo final de mês ele, assim como outros alvoradenses, têm de enfrentar estas filas que, segundo ele, necessitam de atendentes ou algum tipo de providência. “Tem muitos idosos, estas pessoas estão doentes muitas vezes e ficam na fila por muito tempo até serem atendidas e para a gente chegar ao atendimento do banco vai levar mais ou menos umas duas horas ainda”, reclama.

Do outro lado da principal avenida do município, Vânia Martini, enfrenta filas, mas em outro banco, o Banrisul, ao menos naquele dia. Em outros, a busca por atendimento em extensas filas ocorre na Caixa Econômica Federal. “Lá é pior que não sei o que. É horrível, estamos numa Pandemia, todo mundo está aglomerado. Agora estou olhando o Itaú e aqui do lado é a mesma coisa e não sei o que estão fazendo para conseguir agilizar mais isso aí”, lembra.

Conhecendo a região há muitos anos e pedindo anonimato por medo de represálias um comerciante explica que a existência destas filas é algo comum e que naquele dia a situação era tranquila mesmo que muitas pessoas estavam nas filas. “Ontem estava muito pior a aglomeração do pessoal. Como vai terminar a Pandemia desta maneira? Eles proíbem as pessoas de trabalhar, mas filas em bancos é normal, geral e seguido. Isso nunca para”, fala.

Bancos

Um funcionário de uma agência bancária que não quis se identificar, falou que as filas se concentram no terceiro, quarto e quinto dia útil do mês onde a demanda aumenta na agência. Além disso, ele fala que Alvorada tem uma característica em especial. “Primeiro que ele vem todos na primeira hora do dia no banco então das 10h até o meio dia a fila sempre é enorme para dar vazão a essa demanda, de tarde normalmente as filas são bem moderadas, quase não havendo mais filas”, explica.

Ele também afirma que o público normalmente tem dificuldade com os meios digitais porque a maior parte dos serviços que são feitos no banco (ver extrato, boleto para pagamento do cartão de credito, esclarecer dúvidas etc) poderiam ser realizados por meio do aplicativo, mas a população é dependente de atendimento físico.

Além disso, segundo ele, o pessoal que é do grupo de risco ainda estão trabalhando em home office o que auxiliaria num atendimento mais rápido. Tem como agendar o atendimento entrando em contato com o banco e em alguns dias vão voltar a ter algum ajudante na fila para diminuir as filas.

Outra causa das filas é que neste mês o pagamento do 13ª salário do INSS e a prova de vida que deve ser feita somente para um público agrava a situação. “O bloqueio vai passar a ser escalonado e quem deveria ter feito em março e abril do ano passado, vai ser agora em junho e depois de dois em dois meses cada mês para frente até voltar ao normal só que o pessoal vem tudo porque tem medo de perder o benefício”, conclui.

Executivo e Legislativo

Até o fechamento desta edição no final da quinta-feira, 10/06, a Prefeitura não havia se pronunciado sobre o caso.

Já em nota o Legislativo informou que tem buscado compreender por quais condições a lei 1763/2006, aprovada pela Casa, não está sendo cumprida na sua totalidade. No uso de suas atribuições, os parlamentares legislam e têm trazido para debate na tribuna desde o início na pandemia, as dificuldades relatadas pela comunidade para o acesso às agências bancárias da cidade.

Sabendo das condições adversas relacionadas à pandemia e das determinações de distanciamento estabelecidas pelo governo do estado, desde março de 2020, a Câmara entendeu que as agências deveriam acatar os protocolos, tendo o Legislativo insistido em dialogar para que a sociedade não fosse lesada.

No entanto, no momento presente, os protocolos exigidos pelo Governo do Estado estão diferentes. Nesse contexto, o Legislativo buscará explicações do porquê a lei 1763/2006 segue sem aplicação nas agências bancárias. Cabe destacar que a atribuição de controle sobre a execução das leis não pertence ao Poder Legislativo, entretanto, perante o impacto negativo que esse descumprimento tem na vida dos alvoradenses, a Câmara irá buscar soluções conjuntas a Prefeitura para solucionar.

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