Sbado, 23 de Outubro de 2021 |

Cantores tradicionalistas falam sobre o impacto da pandemia nos shows e bailes durante setembro

Considerado o mês Farroupilha, setembro era marcado pelo aumento de apresentações do gênero

Por Redação em 24 de Setembro de 2021

"Cantores tradicionalistas falam sobre o impacto da pandemia nos shows e bailes durante setembro" (Foto: Divulgação)


Na segunda-feira, 20 de setembro, foi celebrado o Dia do Gaúcho. A data é relacionada a Revolução Farroupilha e o mês sempre foi marcado pelos acampamentos, bailes e shows voltados para os tradicionalistas e nativistas. Por mais que as entidades tivessem atividades durante o ano todo, setembro sempre foi marcado pelo aumento de shows e ações para os amantes da cultura gaúcha.

Contudo, desde o ano passado, o cenário é diferente. Isso porque, devido a pandemia do coronavírus, todas as atividades foram suspensas em 2020. Não houve acampamentos e nem bailes no Rio Grande do Sul. Já em 2021 houve uma retomada em algumas cidades, mas respeitando os protocolos de distanciamento e sem a mesma quantidade de pessoas e eventos de anos anteriores.

De 22 shows para oito

Anderson Oliveira tem 37 anos e hoje faz parte do grupo Charla Pampeana. Ele conta que, em 2019, fez 22 apresentações e que a média sempre era de, no mínimo, dez shows no mês de setembro. Contudo, em 2020, o artista participou apenas de eventos on-line e, esse ano, fez oito shows. Com isso, o impacto financeiro e psicológico foi intenso – assim como para outros tradicionalistas.

Contudo, esse momento criou laços de solidariedade para ajudar quem mais ficou carente com a pausa dos shows. “Muitos colegas, que passaram por necessidades, foram acolhidos por uma corrente do bem. Artistas e colegas somando forças para levar alimentos e demais necessidades. A pandemia nos trouxe muitos saberes, uns mais doloridos outros transformadores”, salienta Oliveira.

Um impacto drástico

Já para Eliandro Luz, que faz parte do grupo Oh de Casa e tem a carreira solo, o impacto dessa pausa foi drástico. “O nicho da música gaúcha já trabalhava de forma precária no que diz respeito a valores. A concorrência era desleal e os preços defasados. Mas ainda sim setembro servia para dar uma equilibrada financeira dentro das empresas que fornecem músicas aos eventos”, pondera o alvoradense.

Para o artista, a Covid-19 piorou o que já estava complicado e o retorno ainda depende de vários fatores. “Não consigo enxergar a normalidade em menos de dois anos. Não é ser pessimista. Mas como citei, o mercado já não vinha tão forte. Já não havia segurança para o trabalho artístico musical gaúcho. Até as casas e entidades que promovem eventos reconstituírem suas forças, ainda levará um bom tempo”, enfatiza Luz.

Perspectivas de um novo normal

Já Leandro Berlesi projeta um retorno mais próximo da data em que circula esta edição. “Acredito que até o final do ano teremos o que chamamos de ‘normal adaptado’, e até março de 2022, teremos de volta à normalidade. Antes da pandemia eu tinha uma média de 20 trabalhos em setembro, entre shows, bailes e rodeios. Em 2020 caiu para 05 e neste ano tive uns 10 eventos. Sinal de que estamos voltando”, ressalta o alvoradense.

O artista é muito conhecido pelo seu trabalho nos CTG’s e afirma que a pandemia afetou o setor. “O impacto foi muito grande, pois nossos eventos dependem muito da dança e do contato físico, por conta dos bailes e rodeios. A impossibilidade do contato inviabilizou a maior parte da nossa atividade. Os CTGs e seus grupos de dança praticamente acabaram, e agora lutam lentamente por um recomeço”, conclui Berlesi.

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