Sexta-Feira, 23 de Julho de 2021 |

Projeto Panô de Histórias Ujamaa doará bonecas para programa Primeira Infância Melhor

Oficinas de costura encerraram nesta quarta-feira (16), em Alvorada

Por Redação em 25 de Junho de 2021

"O projeto, aprovado pela Fundação Marcopolo, foi desenvolvido em cinco bairros do município" (Foto: Divulgação)


O projeto Panô de Histórias Ujamaa, desenvolvido pela produtora cultural Tainã Rosa, deixará o seu legado para as famílias de Alvorada que são atendidas pelo programa Primeira Infância Melhor (PIM). Por meio de parceria, o projeto doará bonecos de pano negros confeccionados pelas alunas que disponibilizarem sua produção voluntariamente. O PIM é uma política pública de promoção do desenvolvimento integral na primeira infância.

Encerradas na quarta-feira, 16/06, as oficinas de costura gratuitas impactaram cerca de 100 mulheres de cinco bairros do município: Americana, Stella Maris, Bela Vista, Formoza e Tijuca. Em quatro atividades, elas aprenderam a costurar dois modelos de bonecos inspirados em Mestre Chico e Mestre Etelvina, contadores de histórias locais. O Panô de Histórias foi contemplado por edital da Fundação Marcopolo com recursos oriundos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020.

Em Alvorada, o PIM atende cerca de 350 crianças que têm até seis anos. Na visão de Tainã, com os bonecos de pano negros o processo de identificação e pertencimento ao local em que as crianças vivem é potencializado. "Alvorada tem 25% de sua população negra e na maioria das vezes as crianças não se enxergam socialmente, na arte ou na cultura. Essa é uma oportunidade de desenvolverem a autoestima e legitimarem suas identidades por meio da representatividade", conta a produtora.

As participantes das oficinas foram convidadas a produzirem duas bonecas. Porém, muitas alunas acabaram confeccionando mais exemplares, o que possibilitou a doação em quantidade. A entrega oficial das bonecas para o PIM está marcada para o dia 1 de julho.

Para a coordenadora e gestora do PIM, Elisabel Siqueira, projetos como esse são muito importantes para a valorização cultural. Segundo ela, a iniciativa serve de base e inspiração para a criação de novos projetos voltados para a valorização de pessoas negras e de diferentes culturas. "É fundamental ressaltar a impossibilidade de pensarmos uma sociedade desvinculada dos debates sobre as questões raciais. Alvorada é uma cidade enriquecedora para tanto. Acredito que um projeto como o Panô estimula a convivência e a tolerância intercultural", afirma Elisabel.

A coordenadora ainda ressalta que as bonecas do Panô trazem representatividade e cultura na sua essência, além de trabalhar a diversidade. "A valorização da especificidade pode contribuir não apenas com o reconhecimento das diferenças, mas com o direito à cidadania, entendendo a individualidade nos mais variados aspectos, sobretudo no respeito mútuo, vivendo a diversidade étnica-racial naturalmente", finaliza a servidora.

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