Sbado, 04 de Dezembro de 2021 |

Escolas estaduais e municipais adotam as aulas presenciais há menos de dois meses do final do ano letivo

Decretos publicados na última semana autorizam a retomada do sistema presencial

Por Redação em 12 de Novembro de 2021

"Segundo o Estado, todas as escolas contam com dispenser de álcool em gel" (Foto: Guilherme Wunder)


Na última semana, tanto a Secretaria de Educação (SEDUC) quanto a Prefeitura publicaram decretos autorizando o retorno presencial obrigatório das aulas nas escolas públicas. A decisão pegou muitos de surpresa, pois o ano letivo se aproxima do final e a expectativa era de que essa retomada obrigatória fosse ocorrer somente em 2022, no início de um novo ano letivo.

Governo do Estado

O Governo do Estado informou que essa retomada se dá devido ao avanço da vacinação, a queda de casos e o impacto no aprendizado das crianças e adolescentes. Por isso, as aulas presenciais voltam a ser obrigatórias na educação básica. A normativa assegura a permanência no regime híbrido ou remoto aos alunos que, por razões médicas comprovadas, não possam retornar integral ou parcialmente ao regime presencial.

Segundo a secretária da SEDUC, Raquel Teixeira, esse é o grande desafio pós-pandemia. “Retomar as aulas presenciais é o caminho para mitigar as perdas, cognitivas e socioemocionais que ocorreram nesse período de escolas fechadas, especialmente para as crianças e jovens de menor poder econômico. Cada hora conta para aprender e temos em torno de 150 horas até o final do semestre”, afirma a titular da pasta.

Prefeitura de Alvorada

Já na quarta-feira, 03/11, a Prefeitura publicou um decreto que restabelece o ensino presencial obrigatório na rede pública e privada, inclusive para a realização de avaliações no horário normal. A administração municipal, seguindo os moldes do Estado, também garante o regime híbrido ou virtual aos alunos que comprovarem – por razões médicas – que não podem retornar ao regime presencial.

Em pronunciamento nas redes sociais, a secretária da Educação (SMED), Neuza Machado, pediu para que os pais confiem nas escolas. “Chegou a hora de retornarmos presencialmente com os nossos filhos nas escolas. Temos escolas preparadas para acolhe-los, higienização e protocolos dentro das normas exigidas. Peço para que os pais fiquem tranquilos e mandem os seus filhos para as escolas”, salienta Neuza.

O parecer da comunidade

Claudia Gamarra tem 40 anos e mora no Jardim Algarve. Sua filha, Manuela Pires, tem nove anos e estuda na Escola Herbert de Souza, mais conhecida como Betinho. Segundo a mãe, desde que o modelo presencial foi adotado – antes de ser obrigatório – a criança retornou ao ensino na escola. Isso porque ela acredita que o modelo seria melhor para o aprendizado da filha.

Conforme ela destaca, essa impressão foi confirmada nos primeiros dias do retorno as aulas presenciais. “Assim que retornou às aulas semanais, foi evidente a melhora no que diz respeito ao aprendizado, muito mesmo. Nesse contexto, colocando na balança, mesmo em época de pandemia, no caso da Manuela (que não é do grupo do risco), foi e é de extrema valia o retorno”, explica a mãe.

Para ela, o ensino obrigatório foi visto com bons olhos, mas tem ressalvas quando escuta exemplos de outras instituições. “No caso da Manuela, que estuda em escola municipal, a escola sempre tomou todos os cuidados sanitizantes e com a estrutura da escola para poder acolher as crianças. Mas sei da precariedade de escolas estaduais que infelizmente não tiveram a sua estrutura preservada”, finaliza Claudia.

Também no Jardim Algarve, mas na rede estadual de ensino, estuda Deivid Ferreira. Ele estuda no Gentil Viegas Cardoso e sua mãe, Vera Lúcia, concorda com o retorno. “A escola não pode ficar parada, mas ela está danificada e com problemas. É um abandono de quem precisa resolver. Antes de voltar as aulas, é necessário conserta-la. Mas o meu filho vai voltar e estudar, pois é muito complicado em casa”, relata a dona de casa.

Já Eluza Krupinski tem 45 anos e mora no Bairro Maria Regina. Ela tem duas filhas que estudam na Escola Mauricio Sirotski Sobrinho: Beatriz, 17 anos, está no 3º ano do ensino médio; enquanto Livia, 15 anos, está no 9º ano do ensino fundamental. Ambas não retornaram para o modelo presencial quando estas eram opcionais. Ao invés disso, permaneceram em casa e com as atividades on-line.

Para Eluza, como falta um mês para o final do ano, não seria necessário retornar ao modelo presencial em 2021. “Acredito que as escolas não estejam preparadas ainda para receber todos os alunos. Pois não tem funcionários suficientes para higienizar as salas nos intervalos de turno, não tem banheiros preparados para uso”, afirma a dona de casa.

Segundo a alvoradense, o retorno agora não fará diferença e tem cunho político ao invés de pensar na saúde dos estudantes da rede estadual. “Essa volta prova que os governantes não conhecem a realidade das escolas as quais são responsáveis. É difícil, mas se não mandarmos nossos filhos neste retorno, somos chamados de irresponsáveis”, finaliza Eluza.

Na Escola Salgado Filho estuda Agatha Roberta, 20 anos. Para a sua mãe, Marcia Regina Tagliani, a retomada foi importante. “Ela está agora indo. No começo fez online também. Ela está no primeiro ano fundamental, na turma 102. Ela estuda dois turnos. É uma escola muito atenciosa com alunos e está preparada sim. Todos os professores e o diretor são preciosos pra mim”, pondera.

Scheila Marques Reis tem 44 anos e sua filha, Júlia Reis de Souza, tem 14 anos. Ela está no nono ano da Escola Osório e não estava indo para a instituição e sim ficando no ensino remoto. “Assinei termos contra o retorno. Pois não tem como controlar, no caso de abraços e outros. Como foi o primeiro dia dela na escola, por obrigação, e já presenciei os abraços e a grande maioria não usou o álcool gel”, relata a mãe.

A alvoradense afirma não se sentir segura ainda com o processo do retorno das aulas já que ainda estamos em pandemia. “Não temos a plena certeza que todos se vacinaram. Então, ficam as milhares de dúvidas. Eu não pago para ver, mas, infelizmente fui obrigada a aceitar o retorno. O ano já está perdido. Vão esperar ter casos, para parar tudo de novo”, encerra Scheila.

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