Sexta-Feira, 24 de Setembro de 2021 |

Retorno as aulas têm baixa adesão e divide a opinião de pais e alunos

Segundo relatos de professores, a maioria dos estudantes estão optando pelo ensino remoto

Por Redação em 13 de Agosto de 2021

"A SMED não divulgou o número de alunos que retornou das escolas da rede municipal de ensino" (Foto: Divulgação)


Essa semana foi marcada pela retomada das aulas presenciais nas escolas da rede municipal de ensino. Apesar do novo decreto anunciado pelo prefeito José Arno Appolo do Amaral (MDB) não ter sido publicado, o decreto Nº 131/2021 já autorizava a retomada das atividades presenciais em todas as escolas da rede municipal de ensino. Com isso, essas aulas tiveram início na segunda-feira, 09/08.

A reportagem do Jornal A Semana tentou contato com a Secretaria de Educação (SMED) desde o início da semana para averiguar qual a média de alunos que optaram pelo ensino presencial ou pelo ensino remoto. Contudo, não houve retorno até o fechamento da edição. Cabe ressaltar que a opção do ensino remoto é diferente do que anteriormente e não é mais ofertado o modelo on-line para os que optarem pelo modo.

Entretanto, o Jornal A Semana conversou com professores de pelo menos sete escolas da rede municipal – existem 28 instituições de ensino segundo o site da Prefeitura. Os professores preferiram não se pronunciar por medo de represálias, mas muitos disseram ter turmas com menos de dez alunos em sala de aula. Com isso, boa parte das escolas estão com menos do que 50% dos alunos.

O Jornal A Semana teve acesso ao número de alunos que compareceu em duas escolas na última semana. A Escola Cecília Meirelles tem em torno de 600 alunos matriculados e 170 deles retornou as aulas. Já na Escola Gentil Machado de Godoy são aproximadamente 1.300 alunos matriculados, mas menos da metade – em torno de 500 – retornaram para as atividades presenciais.

Parecer favorável ao retorno

A SMED não divulgou os números de quantos alunos retornaram à sala de aula desde a retomada das atividades presenciais. Uma das pessoas que enviou o seu filho foi Deise Limberger, 55 anos, que é mãe de Letícia, estudante do 9º ano da Escola Podalírio. Ela relata que enviou sua filha para a escola por não concordar com a qualidade do ensino das aulas remotas.

Segundo ela, estava muito difícil aprender em casa e nada substitui o professor em sala de aula para explicar as matérias – principalmente as que a aluna tinha maior dificuldade em aprender. Para isso, ela orientou sua filha. “Em todo o lugar existe risco. Temos que nos conscientizar que mesmo com a vacina temos que continuar nos cuidando. Usando máscara e não fazer aglomeração”, relata Deise.

Quem também tem a mesma opinião é Mili Souza, 38 anos, moradora do Bairro Salomé. Ela é mãe de João (EJA), Pedro (7º ano) e Clara (4º ano) – todos alunos da Escola Podalírio. Ela também relata que optou por enviar seus filhos para a escola pela qualidade do ensino. Segundo a mãe, no modelo remoto os filhos não estavam aprendendo e passavam por dificuldade nas atividades escolares.

Por causa disso, ela acredita que é importante a retomada. Para isso, ela conta com a capacidade das escolas de garantirem a segurança dos filhos contra a Covid-19. “Risco existe em qualquer lugar. Até em casa tem risco. Preciso sair para trabalhar, meu marido também. Estamos expostos a esse vírus e a nova cepa. Se tomar as precauções corretas as aulas têm que voltar ao normal”, afirma Mili.

Parecer contrário ao retorno

Já Tafarel Renato de Oliveira, 33 anos, é pai de Nathaly (7ª série) e Mellyssa (3ª série), alunas da Escola Cecília Meirelles, e afirmou ser contrário ao retorno das aulas presenciais. Segundo o alvoradense, o seu receio não é com os professores e sim com os cuidados dos outros pais. Isso porque, ao ir à escola buscar as atividades, encontra muitos sem máscara e desrespeitando o distanciamento.

Por causa disso, ele afirma ter medo de enviar suas filhas para uma situação de risco dentro das salas de aula. “As crianças, por mais que o adulto fale, vai querer brincar ficar perto das outras crianças. E agora com essa variante que está tendo, aí sim que não tem decreto nenhum que me fará enviar elas de volta as aulas presenciais, já sabendo os cuidados que alguns pais estão não tomando com seus filhos”, relata Oliveira.

O medo de enviar o filho para as salas de aula é o mesmo de Cristiana Domingos, que tem seu filho Cauã no EJA do Podalírio. Para ela, esse ainda não é momento e o certo seria esperar o fim da campanha de vacinação. Além disso, ela se mostra contrária a estratégia da Prefeitura de encerrar com as aulas on-line e a distribuição de marmitas nas escolas porque muitas crianças precisam, mas os pais têm medo das aulas.

A reportagem do Jornal A Semana também conversou com a estudante Laís Azevedo, 14 anos, que está no 8º ano na Escola Cecília Meirelles. Ela segue em casa por medo da pandemia. Ela relata que, no início, não acreditava na pandemia, mas acabou pegando a doença. Foi depois disso que ela começou a se cuidar mais e por isso ela acredita que esse não é o momento do retorno as aulas.

Segundo ela, como os professores e os alunos ainda não estão totalmente imunizados, não é totalmente seguro voltar as aulas presenciais. “E melhor prevenir antes que algo pior aconteça antes que as crianças e nós adolescentes transmitimos para alguém de alto risco e infelizmente venha acontecer algo pior, enquanto não estarmos 100% imunizados eu acho que deveríamos continuar no modo online”, conclui Laís.

Rede estadual

Marcada pelo retorno presencial dos estudantes às escolas da Rede Estadual, a próxima semana deve ser intensa para professores, servidores e representantes da comunidade escolar. O calendário letivo, que segue até 15 de dezembro, ocorre no modelo híbrido de ensino, com aulas presenciais ou remotas. Para amenizar as perdas educacionais, a SEDUC está incentivando que os alunos retomem ao formato presencial.

Para o devido cumprimento dos protocolos sanitários, as escolas disponibilizam álcool em gel e equipes fazem a higienização constante dos ambientes, monitoram o uso obrigatório de máscaras e mantêm salas de aula ventiladas e com capacidade máxima de ocupação, além de demarcarem o distanciamento entre os estudantes nos espaços escolares.

COMENTÁRIOS ( )