Domingo, 26 de Setembro de 2021 |

A realidade dos acessos nas calçadas sob a perspectiva de quem mais utiliza o serviço

Alvoradenses que sofrem com problemas para se locomover falam sobre a acessibilidade do município

Por Redação em 23 de Julho de 2021

"Segundo Coutinho, o município tem até o final de 2023 para regularizar as rampas de acessibilidade" (Foto: Guilherme Wunder)


As rampas de acesso em calçadas são muito utilizadas por pessoas que tem mobilidade reduzida. Isso seja temporária – como carrinho de bebês – ou permanente. Inclusive existe uma lei municipal que trata sobre o assunto e obriga a construção de rampas e rebaixamento de meios-fios próximos à entrada de áreas públicas. Contudo, não existe uma legislação vigente sobre tamanho ou locais.

O que existe é uma norma brasileira ABNT NBR 9050, que trata de acessibilidade. Essa legislação fala do tamanho que a rampa deve ter (1,20m) e do seu declive. Contudo, ao passar pela Parada 48 da Avenida Presidente Getúlio Vargas – aonde ficam as sedes dos poderes constituídos – foi possível averiguar que somente as rampas que ligam as praças Leonel Brizola e João Goulart contam com a dimensão orientada.

Além disso, na própria Praça João Goulart é possível ver que existem acessos com problemas e que podem colocar em risco qualquer pessoa com mobilidade reduzida que precisar utilizar o local. Essa preocupação com as condições de trafegabilidade para os cadeirantes é uma constante na vida de quem precisa desses espaços para poder se locomover no município.

O parecer da comunidade

Maria Patrícia Zoltowski tem 41 anos e mora no Bairro Maria Regina. Ela é mãe de Gabrielly, 17 anos, que é cadeirante, e contou um pouco sobre os desafios enfrentados. “Existe lugares com boas rampas, mas também existem rampas aonde realmente um cadeirante sozinho não consegue subir ou descer. Os acessos do meio-fio também são ruins dependendo do lugar e são mais presentes no centro”, salienta a alvoradense.

Segundo ela, é muito difícil se locomover com os cadeirantes e existem vezes que é necessário dividir a avenida com os carros por ser mais seguro. Maria relata também que, quanto mais para dentro dos bairros, pior é e, da Maria Regina até a sede da SOUL são raras as rampas de acessibilidade. Isso faz com que ela tenha receio de cair ou se machucar – e consequentemente sua filha – quando está andando.

Por isso, ela cobra que seja investido mais nesse setor. Ela afirma que hoje não se dá atenção para as pessoas que tem alguma deficiência no município. “Melhorar a qualidade de locomoção, de vida e do direito de ir e vir. Significa mais respeito e importância do ser humano. Afinal todos somos cidadãos dessa cidade linda que tem por adjetivo ser solidaria”, desabafa Maria.

Já Cristiane Machado tem 40 anos e mora no Bairro São Pedro. Ela é mãe de Airton, que tem 22 anos e é paraplégico. Segundo ela, faz muito tempo que não se dá atenção a mobilidade na cidade. “O prefeito cuida só onde lhe convém. Nas calçadas não dá para andar e tem que desviar das crateras. Faltam acessos e até parece que pessoas com deficiência não tem direito algum”, confessa a dona de casa.

Essa falta de atenção com o setor também é sentida por Tania Maria Martins, 57 anos, que também mora no Bairro Maria Regina. Ela é mãe de Gabriela e utiliza o serviço ofertado pela Aurora da Vida. “A mobilidade é muito ruim e tem poucos acessos. Sem falar que são muito ruins. A importância é que eles têm os mesmos direitos de ter as mesmas mobilidades como qualquer cidadão comum”, afirma a alvoradense.

Outra mãe, que preferiu não se identificar, afirma ter um filho cadeirante e que a acessibilidade na cidade é inexistente e alega que também enfrenta o problema dos carros nas calçadas. “Péssima. Esburacadas. Isso quando tem. É só os nossos representantes olharem a nossa cidade que não precisa mais nada. Não é somente eu que preciso, mas a população em geral”, finaliza a mãe de Leonardo.

Respostas do Executivo

O Jornal A Semana conversou com o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), Sergio Coutinho. Segundo ele, existe um plano nacional de mobilidade urbana que está aprovado e deve ser colocado em vigor pelos municípios até o final de 2023. Dentro deste modelo existem determinações que devem ser seguidas e a administração municipal trabalha para cumprir esses prazos.

Coutinho afirma que hoje existe apenas uma rampa regularizada conforme o plano. “Hoje a única que está 100% regularizada no município está na frente da Prefeitura. O restante está com uma metragem menor e nós teremos de adequar todas até o final de 2023. Alvorada vem sofrendo um crescimento considerável nos últimos anos e precisamos trabalhar para adequar as necessidades”, enfatiza o titular da pasta.

Segundo ele, em casos de reivindicações sobre a estrutura, o pedido deve ser feito diretamente para a SMOV, que tem os equipamentos e mão-de-obra qualificada. Já sobre quando o plano será colocado em prática, o titular da pasta ressalta que não existe uma previsão. Isso devido aos valores que precisariam ser investidos e o orçamento da Prefeitura, que sofreu reduções devido a pandemia.

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