Sbado, 23 de Outubro de 2021 |

A vacinação é a “gota de esperança” em meio aos 56 anos da emancipação de Alvorada

Aniversário da cidade é marcado pela campanha de imunização contra a Covid-19

Por Redação em 17 de Setembro de 2021

"A campanha de imunização teve início no PAM-8, mas hoje é realizada no Ginásio Tancredo Neves" (Foto: Eduardo Porto)


Alvorada celebra nesta sexta-feira, 17 de setembro, o aniversário de 56 anos de sua emancipação de Viamão. Assim como todo o mundo, o município tem essa data marcada pelo processo de imunização contra a Covid-19, que se tornou uma pandemia e assolou o mundo. Contudo, mesmo com todas as dificuldades, a cidade se tornou destaque quando se fala de vacinação.

Mais de uma vez Alvorada esteve à frente das cidades vizinhas quando se fala em quantidade de doses aplicadas. Além disso, foi uma das primeiras da região metropolitana a vacinar todos os maiores de 18 anos. Recentemente foi destaque de um programa estadual e premiada com R$ 100 mil pela quantidade de vacinações feitas no Ginásio Tancredo Neves.

Contudo, o Ginásio Tancredo Neves, que é o centro de imunização da cidade, não ficou marcado apenas pelas vacinações. Muitas histórias passaram por lá. Algumas engraçadas e outras tristes, mas todas baseadas na “gota de esperança” que a coordenadora Cintia Machinski afirma ser a vacina contra a Covid-19. A servidora coordena a campanha desde que o local foi definido.

Ela conta que teve um momento recente que lhe impactou e mostrou a importância do trabalho desenvolvido. “Recentemente eu pedi um motorista de aplicativo para vir trabalhar e ele me tratou de uma forma tão querida e intima. Depois eu descobri que foi eu que o vacinei aqui em Alvorada. Na hora eu fiquei emocionada, afinal ele se lembrou de mim depois de todo esse tempo”, salienta a coordenadora.

O papel de Cintia como coordenadora está em mediar conflitos e manter a equipe motivada para esse trabalho. Segundo ela, mesmo com todas as dificuldades, o objetivo sempre é passar a positividade de que esse momento vai passar. “Nós colocamos músicas e tentamos deixar o ambiente mais leve. Nós estamos aplicando a gotinha da esperança e é isso que eu quero levar para frente”, conclui Cintia.

A emoção no luto

Não foram poucos os casos de vacinadoras ou atendentes que se depararam com as lágrimas dos vacinados. Muitos estavam emocionados e alegres por estarem recebendo a imunização, mas também tiveram alvoradenses que choraram ao saber que seus entes queridos não tiveram a mesma sorte. Situações como essa impactavam diretamente os servidores municipais.

Um desses casos foi vivido por Andressa Feula, que é vacinadora e a responsável por retirar as doses de vacina no Estado. Ela conta que estava vacinando uma senhora na segunda dose e, naquele momento, a alvoradense começou a chorar. Na hora, a servidora acreditou ser a emoção de estar concluindo o ciclo de imunização para poder retomar a normalidade, mas não era isso.

A idosa havia perdido seu filho, que ficou 30 dias hospitalizado por causa da Covid-19. Ele já havia tomado a primeira dose e tomaria a segunda junto com ela. “Eu me emocionei junto com ela e fiz a vacina chorando. Pedi desculpas e tentei acalenta-la, mas não tem como fazer isso com quem perde um ente querido tão próximo quanto um filho depois de já ter sido imunizado com a primeira dose”, desabafa Andressa.

Quem também trabalha com a experiência do luto é Roberta da Silva. Isso porque a vacinadora perdeu sua mãe e a sogra para a doença. Contudo, ela acredita ter um papel importante pela sua experiência de vida. “Estar na linha de frente e poder dar esse retorno para a comunidade é muito bom. É uma sensação de dever cumprido e de ter ficado e poder fazer a diferença”, enfatiza a técnica em enfermagem.

Segundo ela, ter passado pela perda dos familiares lhe deixou mais forte para conscientizar a população sobre a vacina. “A minha mãe eu perdi sem ter tomado nenhuma dose e a minha sogra tomou a primeira dose e não quis tomar a segunda dose. A gente tentou convence-la, mas ela acreditava que já estava imunizada. Esse relato eu faço sempre que encontro alguém que não quis tomar a segunda dose”, afirma Roberta.

Descontração e esperança

Mesmo nesse momento difícil, a equipe coordenada por Cintia trabalha para levar a positividade e o carinho para a população. Uma das pessoas mais procuradas por causa dessa atenção é Marilu Barros. A servidora trabalha no atendimento via telefone e diz receber uma série de ligações todos os dias para agradecer as vacinadoras da Secretaria de Saúde (SMS) pelos serviços prestados.

Além disso, ela também recebe ligações de pacientes carentes e que necessitam de orientação. Isso acaba sendo reconhecido pela população. “Como eu só atendo ao telefone, existem muitos pacientes que vêm aqui pessoalmente para conhecer a dona Marilu. Foram várias vezes que pacientes vieram me procurar pelo meu bom atendimento, afinal todos aqui estão trabalhando com muita atenção”, relata Marilu.

A leveza e atenção também é dada por quem organiza a fila. É o caso de Eron Maia, que faz o atendimento e auxilia a população. Contudo, ele não conseguiu escapar de uma gafe. “A vacina de Oxford não era indicada para gestantes e eu saí correndo ao ver uma mulher um pouco mais gordinha para orienta-la. O problema é que ela não estava grávida e eu não sabia onde me esconder de tanta vergonha (risos)”, encerra o servidor.

A esperança de dias melhores

Contudo, por mais diferente que seja a história de cada um dos profissionais de saúde – sem falar de todos os alvoradenses imunizados – a mensagem que eles deixam sempre é a mesma: a importância da vacina para um novo normal. Talvez seja por isso que Cintia destacou que a vacina é considerada a gota de esperança para que toda a população possa celebrar os 57 anos de Alvorada unidos e presentes.

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