Sexta-Feira, 18 de Junho de 2021 |

Centenas de famílias ocupam área no Bairro Maria Regina para reivindicar moradias

Ocupação 1º de Maio conta com o apoio do Movimento Sem-Terra para se manter no local

Por Redação em 14 de Maio de 2021

"A ocupação, que conta com apoio do MST, está localizada no final da Avenida Salomé, no Bairro Maria Regina" (Foto: Guilherme Wunder)


Cerca de 300 famílias escolheram o feriado de 1º de Maio para ocupar uma área no final da Avenida Salomé, no Bairro Maria Regina. Segundo a coordenação da ocupação, agora já são quase 800 famílias no local. Isso tudo com o apoio do Movimento Sem-Terra (MST), que doou alimentos e está fornecendo as refeições prontas para todos os moradores da ocupação.

Em entrevista, Júlio César da Ponte, um dos coordenadores da ocupação, havia um projeto de moradia popular habitacional para aquela área, mas a proposta nunca saiu do papel. Com o passar dos anos, muitos dos que se cadastraram souberam que o local passa por um processo de usucapião e optaram por ocupar cerca de um hectare – a área completa ultrapassa os 140 hectares.

Contudo, o alvoradense explica que a ideia não é ocupar o local de forma irregular. “Ninguém quer pegar a terra de ninguém de graça. A maioria das pessoas que estão aqui trabalham. São poucos que não tem estrutura. Todos aqui querem negociar e comprar a terra por um valor justo e não tomar dos outros. A grande maioria é aqui de Alvorada e sonha com isso”, salienta Ponte.

Segundo ele, a grande maioria das famílias que estão no local são de Alvorada e mais de 90% morava de aluguel ou na casa de familiares, mas não tinham mais condições de arcar com as despesas – devido ao desemprego e a pandemia. Tanto é que ele usa isso como justificativa para a adesão ao projeto. Pelo levantamento da coordenação, no início eram 300 famílias e agora o número se aproxima das 800.

O que chama a atenção de muitos é a presença do MST no local. Quem explica isso é Valdones Santos, mais conhecido como Gaúcho. “O MST fez a campanha do 1º de Maio com a doação de alimentos. Como surgiu essa ocupação, nós viemos doar alimentos e destinamos uma quantia para essas pessoas. Como vimos a necessidade das pessoas, a gente montou uma cozinha coletiva para entregar as refeições”, relata a liderança.

Já a assistente social Gianini Walczak, que está auxiliando na ocupação, pede a compreensão da população. “A gente vê as pessoas desesperadas aqui. muitos não tinham madeira e nem telhas. O desespero no olhar dessas pessoas que estavam sendo despejadas é muito impactante. As pessoas precisam entender que essa ocupação é fundamental para que elas reconstruam suas vidas”, enfatiza a profissional.

O parecer da comunidade

Em visita ao local, a reportagem do Jornal A Semana conversou com algumas pessoas que estavam no local, mas que preferiram não se identificar. Muitos tem medo de represálias, mas afirmam estar satisfeitos com a iniciativa. Isso tanto os moradores da ocupação como também os vizinhos das ruas ao lado. A maioria afirma que não existia mais nada na terra.

Segundo uma moradora vizinha, ela espera que o projeto dê certo e que seja bom para a comunidade. “O projeto que nos informaram é muito bom. A gente preza que o loteamento dê certo, pois vemos que as pessoas realmente precisam de uma residência. Faz muitos anos que o local está abandonado e não tem mais gado. Antigamente tinha plantação, mas faz bastante tempo”, relata a dona de casa.

Já um morador que estava na ocupação afirma que esse movimento é importante. “Essa terra estava parada. Não tinha mais nada faz bastante tempo. Todos estão lutando por um pedaço de terra e está tudo bem pacífico e tranquilo. Ninguém está agitando ou desrespeitando. O pessoal é bem humilde e educado e quer que esse projeto vingue”, finaliza o alvoradense.

Informações do 24º BPM

A reportagem conversou com um dos proprietários da terra, mas ele optou por não se pronunciar a respeito. Segundo o 24º Batalhão de Polícia Militar (BPM), existe uma reintegração de posse agendada para o dia 20 de maio e os coordenadores da ocupação estão cientes disso. Já segundo Júlio da Ponte, existem advogados auxiliando a ocupação e trabalhando para uma liminar que suspenda a ação da Brigada.

COMENTÁRIOS ( )